Amava-te

amava_te

Amava-te

Não esperando que fosse nada
Amava-te
Apenas com um olhar
Amava-te
Não sabia o que era
negava e nem cogitava descobrir
Amava-te
Como se o dia não tivesse fim
Como se o sorriso pudesse me sorrir
Amava-te
Como se fosse um aroma
um bolo
uma bala de leite
um rivadávia com glacê
Amava-te
Como se nunca pudesse tecer
Como se os dedos pudessem passear
todo o relevo com delicadeza de um desenhar
Amava-te
Nos pensamentos a te ter
e teu rosto era liso
e eu pudesse me perder nas almofadas de seda
Amava-te
E podia voar os céus
nos perfumes pintados em abstrato
O tempo se vestia em nuvens rosadas de fim de tarde
As mãos podiam encontrar
todas as sensações traduzidas do olhar
Amava-te
Ao abraço se entregava
fugia ao todo explícito
Trazia a vida a nos viver
Eu podia saber no final
do último instante ao deitar
como seria a respiração acalmada
Nem sempre eu podia
entender nosso conviver
nessa vida tão desencontrada
Amava-te
Sem poder
Sem mais conter
Amava-te
De todas as formas que eu pudesse
e nos outonos e primaveras
Amava-te
Não queria mais sentir
Não queria o risco de sofrer
Mas a luz da juventude nos recordava
Amava-te
Como antes ou ainda mais
Sofrimentos tatuados nas costas
em forma de rosas e espinhos
Porque
Amava-me
Sem que acabasse

MaraRomaro

28/01/2016 12:19

Verso da folha:

Contraponto ao texto Amava-me

Música:Einer von Millionen – Unheilig – MTV Um plugged

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Diálogo Interno

Por tantas vezes, eu me dizia algo e as respostas sempre vieram.
Toda essa interlocução me levou em redemoinhos de vento.
Vento forte. Içou-me até as nuvens navegantes,
em seus lençóis repousei.
Os seus braços eram veleiros, o rugir era o quebra-mar.
Não encontrei respostas e dúzias de perguntas de resposta muda se avolumaram
em tempestade noturna.
Como foi difícil escorregar sem ter mais sua mão para segurar.

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