Sinto-me Estranha

Sinto-me Estranha

a esperar no momento

um melhor amigo.

Síncope estranha

em estranho no ninho .

Oh! Insensatos corações,

enfurnados em uma casa de sapê.

Sinto-me Estranha

tanto quanto era o espanto

experimentava fios de ovos.

Sinto-me insana.

 

Sem nada. Desordem.

Enquanto os amigos especiais

são afetuosos o quanto necessitais.

Os cristais que se

estilhaçam suavemente.

São sarcófagos

todos os conflitos que se esqueceram do dia santo,

daqueles que não amam de verdade.

Sinto-me estranha com desferidos olhos e

criados os artefatos da reprimenda.

Ah! Olhe direito através das janelonas e suas eternas palavras ocas.

Índole estranha,

a olhar as avarias que desapercebidas

são todas indícios  das borrascas de outono.

Mas orei onde a luz incandesce em incidência

sobre as falsas e idiossincrasias dormentes dos humanos que somos.

 

Insana improbidade

do som cítrico do escárnio.

Oh! Guardai-nos das covardias e absurdos.

Entendei-nos

Como coisa e

propriedade vossa alheia.

Amém.

 

Mara Romaro

 

Verso da Folha Sinto-me Estranha

[2009-fev-03 23:58]

Existem almas gêmeas, como este texto é da Síndrome Estranha.

São homófonos e um enigma pelo som, o outro pela visão.

A comunicação pode ser torpe, propositalmente com intuitos inescrupulosos, ou apenas atabalhoados.

Aquilo que se vê, nem sempre é, o que é nem sempre aparece. Não é questão das entrelinhas, mas entreletras cujo som ou grafia pode nos induzir ao engano. A mente é uma coisa incrível. Nem precisamos as vezes completar uma frase ou palavra. Mas essa rapidez justamente causa os sentidos oblíquos.

Síndrome Estranha

Síndrome Estranha

a espelhar no tormento

um melhor ambíguo.

Síndrome estranha

em castanho no limbo

Oh! Ensebados pães

encurralados em becos de café.

Síndrome Estranha

quando tanto era encanto

esperava avos de ovos.

Síndrome Estranha

De nada. Às ordens.

Portanto’s amigos virtuosais

tão virtuosos quanto virtuais.

Os vitrais que se

Este laçam sua vê mente.

São sacrófagos

todos os aflitos que se embebedam do vinho santo,

daqueles que não atam nas verdades.

Síndrome estranha dos ferrolhos e

cria dos arte e factos repri dos medos.

Ah! Alheio direito através das pantalonas e suas etéreas palavras ocas.

Síndrome estranha

A olhar as Marias que desapercebidas

são todas fictícias  nas floradas de outono.

Mas o rei arde a luz incandesce sem condescendência

Sobre as farsas e hipocrisias dos mesmos hipocondríacos sanos.

 

Estranha síndrome

do som cítrico do escárnio.

Oh! Livrai-nos das covardias e absurdos.

Entendei-nos

Ó coisa

Propriedade privativa alheia.

Amem.

 

Mara Romaro

Verso da Folha Síndrome Estranha

[2009-jan-7 21:15]

O estudo dos enigmas, charadas e estegnografias que penso para o meu “Lugar dos mistérios”, me fez pensar nas tantas vezes que nos pegamos dizendo e sendo mal-entendidos, até por situações ambíguas, ou fatalmente infelizes; outras propositalmente dúbias para causar diversas interpretações ou com a confusão da cacofonia induzir os sentidos a absorver uma mensagem subliminar. Neste texto, a sonoridade causa a sensação diversas vezes de dizer outra coisa. Um brincadeira apenas, para o que estou preparando no futuro livro. Através da sonoridade há outro texto implícito.é uma crítica sarcástica à forma de relacionamento de hoje em dia, das fugas pessoais, da ocultação do eumesmismo.Ah, sim. Quis realmente parecer torpe e difusa, quis realmente zombar da condição desumana e mangar dos que pensam decifrar facilmente os outros. Com análises prontas e receitas de bolos para a dor ou o sentimento, normalmente ridicularizado.

Quem são os piegas? Quem são os supérfluos? Quem não tem medo de encarar seus defeitos nas semelhanças com o próximo? Quem não tem vontade de molhar o pão no café? Por que não faz?

Quem não é estranho no ninho? Quem não se agarra na fé para suportar a humilhação?

Amor é para fracos e comprimidos de tarja preta. Terapia não é caminho de compreensão, mas apenas um certificado de sanidade que vale ingresso no mercado de trabalho. É isso mesmo?

Cuidado com os jargões, porque a repetição é uma fácil forma de doutrinação e lavagem cerebral.Cuidado com o que uma propaganda supostamente inocente pode fazer a sua mente, principalmente quando você não consegue mais controlar seus passos e sua direção.Esse mundo de hoje é doente.

 

Sinho-ne Eatramha

Sinho-ne Eatramha

a esqezar nmo menento

vm meihor annigqo.

Símcçope eatramha

en eatramho nmo nimho .

Qh! Inpsemsatos coxqracõies,

enfvrnadyos en vma capsa de soahjpê.

Sixnho-nme Eatramha

tonto puamnto era u esqpmto

exqerimamntgva fiuozs dze ouos.

Sinho-ne inzsoana.

 

Sixxen nada. Dexsofrdeam.

Enpuanmto os aniqos esqeclais

não tãu afefvoksos o qvamnlo necaeszsituais.

Os cripsxtuals que se

estllhoçam suauernente.

Suão sazrçóufpgos

todsxos os comnflltas qve se eszxqveçefam do dia samnto,

àqveles qve nãço anam de uerpade.

Sinto-ne eatramha com deaferldos oihos e

crlapdos os artafatuos da reqrinemdia.

Ah! Oihe diraxito atrlaués dsas jamnehonas e svas etpermnas viplraças barroqas.

Ínpole eatramha,

a oihar as auarios qve desoaqercebipdas

sãu topas inkícios  das boryraxscsas de opvtomo.

Mas oreil onpe a lux tramzxparevce emn imcdidêmcia,

sobrxe as foizlsas e idiossxincrpsias dornenles dos hunamos qve sonos.

 

Insomna imprvdidade

do son cítrxixco dv eskxcormnio.

Oh! Gvarpai-nos dazs afxasias e dos svrttos.

Emtenpei-nos

Como suois

a digpnipdaxde  piópria  aiheia

Anémn.

 

Mara Romaro

Verso da Folha Sinto-me Estranha

[2009-fev-03 23:58]

Existem almas gêmeas, como este texto é da Síndrome Estranha.

São homófonos e um enigma pelo som, o outro pela visão.

A comunicação pode ser torpe, propositalmente com intuitos inescrupulosos, ou apenas atabalhoados.

A quilo que se vê, nem sempre é, o que é nem sempre aparece. Não é questão das entrelinhas, mas entreletras cujo som ou grafia pode nos induzir ao engano. A mente é uma coisa incrível. Nem precisamos as vezes completar uma frase ou palavra. Mas essa rapidez justamente causa os sentidos oblíquos.

Diferente

Quando cheguei lá hoje cedo

Algo estava diferente

Não é porque eram outras pessoas

Não era porque uma névoa evaporava do lago

Recordações de inverno

Nem folhas de outono

 

Algo era diferente

Seria porque havia ali uma canoa?

Era o ângulo que eu olhava para o cume da árvore

Via o céu aberto entre as brechas das folhas

Uma fila de formigas carregadeiras frenéticas

Ou o quê?

Eu parecia mais cansada

O ar me raspava

Soava como a mão arrastada dentro da areia

Era assim um ar paralisado

Semblantes tensionados

Os olhos um poucos mais franzidos do que antes

Alguns fios de cabelos libertos a flutuar ao céu

 

O que estava mudado? Era o mundo, as pessoas, os sentimentos

ou eu mesma?

 

Os caminhos estavam tão calados

O sol amornado

O horizonte enevoado

O coração mais apertado.

 

O que estava diferente

A vida, os amores, todos os horrores?

Aquela criança na praia?

Lembrava-me que a nova cruz de mártir

Agora eram naufrágios.

 

E quando eu fumava todo o ar parado

Um homem estava sentado

Seu terno amarfanhado

Seu amor engavetado.

 

O chapéu escapuliu com o vento

Rolou escada abaixo

Uma criança saiu correndo atrás da pipa

Uma senhora de saia inventada

Um chinelo arrebentado

Nossos sentimentos acorrentados

E os amores desbotados.

 

Sem tempo prá quê?

Tanta pressa de morrer?

Esgoto que não dá prá esconder?

 

Onde está você?

 

O que era diferente,

Sua unha, seu cabelo, seu tattoo,

Ou meu papel  machê?

 

Sem mais e sem você.

Com amor de laquê.

O que eu desejava era mais saquê.

 

Mara

29/9/15 13:42

Música: Geboren um zu leben – Live – Unheilig, Maschine – Live – Unheilig do álbum Gipfelstürmer Live

Sensações e sentimentos, as cores dos momentos, percepções e as cores do prisma.

Vidão de meu Deus, mundão de demônios, problemas e contrações.

Dores do mundo em mim que me escalpelam.

Troféu de dor premia quem?

Junto de tudo que te arrasta, ainda tem um barco a remo para te acalmar.

O andar

O andar

Parece com o rugir da carroça. Vejo-me externa ao tempo, ao corpo, ao sopro.

Mesmo que eu ame a terra, flores, e o branco; não há mais nuvens desenhadas para mim.

As palavras nem me confortam tanto.

O que é verde me alegra, me revive, me revoluciona.

O que não há é pensamento que soluciona.

Me parece apropriado o que eu disse, que “o invisível é o pensar do sentir”.

Mas acredite, não há sinônimos, antônimos, Antônios ou Marias, nem água morna ou fria, que traduza fielmente o abstrato do sentimento. O que pensamos saber, na verdade não sabíamos. O que pensamos entender não entendemos.

E dos mistérios, encantos da vida, o dia que te oferece as mãos para o caminhar, soa-me tão errante, o caminho de beco, labirintos de rosa de ventos.

As palavras não me agasalham para o outono que se anuncia, nos ventos calados, nas três Marias, nas oportunidades que nunca chegam para amornar este frio.

As palavras… consigo-as no escrito, no entanto o que habito, são hálitos aflitos de não saber mais dizer, e poder no diálogo encontrar motivos para o que eu acredito.

Palavras têm almas, mas são amputadas de ações que estas nos cabem.

Só vejo agora uma forma de solução. O preço é tão alto, mas para quem está descalço o que é uma bolha no pé que mais tropeça na vida que vive pregando esta peça.

Enfrento o descanso, enfrento a procrastinação e continuo sem a devida luz do dia que nasce igual para todos.

Perco meu tempo às pessoas ilidas, que atropelam parágrafos, mas tem olhos atentos em inúmeros insignificantes momentos.

Queria por vezes desistir, ter pontes de abismo, porém de labirintos não há ponto de retorno, caminho feliz, como sair dele sem encontrar o caminho certo.

Risco palavras para não as repetir a mim mesma, palavras que a vida não me traz e não me sussurra… apenas o eco.

Não há como extinguir o infinito dizer.

Ainda bem que trago no bolso, alguns amuletos, que me remetem a uma visão distante, mas nítida, que com seu fascínio me conduz por florestas bonitas.

Diversos significados convergem à mesma coisa, são as pessoas que distorcem e maculam o branco. E daquilo que se quer acreditar nasce o néscio e destrói as cores vivas dos gestos da alma Sentir.

Mara Romaro 16/01/17

 

Dia Moco

O dia começa estranho

Esqueço em casa os óculos

Para meus olhos não castanhos

Por conta do meu pensamento moco

Chuva me atrasa um tanto

Quando me deparo com um obstáculo

Duas enormes galinhas ciscando ao barranco

E eu feito um idiota cocho

Logo cedo correndo atrás de frango

 

Mara Romaro

16/01/17 10:30

Dedicado ao dia que começa bobo ao meu esposo, nada mal para uma segunda-feira.

 

 

Tempo de se preparar

Interrompi meu olhar quando percebi os ventos. Eles tremeram a porta. As roupas pareciam se curvar ao céu sugadas com violência. Percebi com estranheza os coqueiros ao fundo que eles curvavam suas folhagens para o lado. Apenas o cacho de coquinho parecia enfrentar corajosamente os ventos.

Uma intensa luz amarelada refletia um facho de sol nas partículas de poeira, mas o céu temível e negro, revolto junto com nosso olhar inseguro.

Roupas amontoadas na cadeira, freneticamente eu andava daqui ali, para guardar isso ou aquilo no rancho. Quantas folhas se curvavam que me fez temer pelo pinheiro.

De repente parecia que como marteladas, gotas pesadas começavam a bater, antecipadamente ao nosso sobreaviso.

Pus me adentro, enquanto por um momento apenas uma leva de chuva pesada chegou ruidosamente ao gramado crescido, o vento calou-se. Apenas o peso da água raivosa curvava as folhas curvas da palmeira e lhe arrancou a mais ressequida.  As romãs nem amadureceram e já estavam estragadas.

Enfim, naquela janela eu podia ver a tempestade dançar em ventos e pequenas revoadas brancas como se os pingos fossem pássaros. Havia splash enorme da água caindo das calhas e eu com meus pensamentos me reformulando para os dias seguintes e a enorme dificuldade que se aproxima.

Devo fazer dos meus dias o libertar dos pássaros, não esperar que coem meu café, que me abracem com sinceridade, ou que reconheçam minha expressão mais incalculável do olhar.

Não posso esperar que todo tempo passe tão calado, ou que as palavras me divirtam sem seriedade.

Preciso pintar as palavras e escrever melhor os desenhos, preciso mergulhar neles que nesse afogamento salvar meu íntimo.

Eu poderia molhar-me agora e dessa chuva, arrancar essa permanência. Os temores poderiam ser de álcool e evaporar. E se eu quiser posso ser melhor do que essa insônia ou essa nevralgia.

Não posso esperar que alguém venha consertar o quebrado, alinhar as curvas, decifrar meu desenho, satisfazer meu sonho e cozinhar minha comida. Eu preciso encontrar força que me deixe fazer mais sem tanta ilusão, sem pensar nas pessoas e seus anseios, traduzir esse emaranhado de plantas que nascem e morrem sem ter nascido.

Ainda que sozinha no meu espírito, quero caminhar o dia com essas dores mesmo, aproveitar a vista do morro, e percebo tanto. Tanto capto com meus sentidos que nunca consigo exprimir nas minhas obras e mesmo que eu pense delas serem tão insensatas, quero prosseguir sem destruí-las mais. Não mais.

A chuva parou seu ar destruidor em meu momento de olhar, a luz interrompida com o fim do dia caindo e o contraste se iniciando num silêncio impiedoso.

Estivemos por dado instante, agradecidos que fizéramos tudo antes e também por eu ficar ali alisando a barba dele por momentos sem tamanho, cada um com seu pensamento e com sua própria conversa.

E o jeito foi acender uma vela, comermos uma comida simples e tímida, ter esperança de amanhã. Quando a manhã de domingo, só nos coube tirar pragas e cortar a grama. Extenuados de nossa condição e concentrados naquele afazer, eu tentava fugir de qualquer conversa que nos levasse a reclamar. Descobri então flores da azálea asfixiadas das samambaias e quebra-pedra que lhes invadiu o espaço. Havia flores ocultas esquecidas e nunca vistas.

E depois de tudo, fui cuidar dos espinhos e feridas em minhas mãos. Assim foi mais um dia.

 

Mara Romaro

14/12/15 10:42

Música: Visitation, Opening – Carol movie Soundtrack

Minhas percepções da tempestade de sábado e cotidiano. Pensamentos.

Carta ao Leitor  

Eu não conheço, mas minhas palavras podem te conhecer. Tantas vezes pensei em contar um pouco da minha vida mais real, mas já aviso, não sou boa com a realidade. Não gosto dela.

O dia amanheceu para eu lutar muito. Este dia era aniversário de casamento da minha avó. Há um ano venci um dos meus medos e criei este blog.

Meus medos me acompanham desde criança. Morei em uma casa grande, pois éramos uma família de doze filhos e eu a caçula. Havia uma praça em frente. Brinquei muito nela.

Nasci no verão. Não sei porque não aceitei de forma alguma a amamentação de minha mãe. Com um mês de vida tive uma desidratação e naquela época diversos médicos me “desenganaram”. Ou seja, desistiram de tentar me salvar. Minha mãe enfrentou isso com garra, tomou atitude de me hidratar com Citrosodine, me alimentou com colherinha de café para evitar os vômitos em jato e me salvou pela dedicação e persistência.

Eu não gostava de comer e constantemente era forçada a isso. Jogava as comidas pela janela e meu bife até viajou até Itatiba na capota do carro do meu cunhado. Gostava de tomate, pastel, pamonha, leite, limonada, melancia, azeitona e chocolate. Minha paixão por café veio depois.

Tinha intolerância a ki-suco e passei algumas noites vomitando a noite toda por isso.

Meus irmãos brincavam comigo, mas eu me sentia sempre oprimida. Chegava em casa, tímida, me esgueirando, dava um pulinho no canto da escrivaninha do meu pai, e todos esperando davam uma fragorosa vaia e riam bem alto.

Na minha infância sofri alguns incidentes abusivos, desde então sentia um mal estar, os medos passaram a me apavorar à noite. E se estendeu à minha adolescência. Minha solidão começou aí.

Tinha uma forte ligação com meu irmão Marcos, chego a lembrar de estar num berço azul, debruçando para olhar e ver o Marcos se esconder e aparecer de baixo do berço. Lembro de tomar uma mamadeira já bem velha com um rombo no bico e no dia que minha irmã e madrinha Jane me comprou uma caneca para trocar pela mamadeira.

Na infância me apavorava com meu pai andando nervoso e brigando de noite. Eu estremecia cada vez que ele passava na porta do meu quarto.

Demorei a me acostumar, porque ele vivia trabalhando em outras cidades, quando se aposentou voltou e implicou muito com os momentos que minha mãe tocava piano. Depois do dia de enormes trabalhos, lá pelas quatro ou cinco horas, ela sentava ao piano, eu no sofá cinza e ficava vidrada a ouvi-la tocar. Mas esse tempo acabou, ela parou de tocar.

Quando morava na casa nova, comecei a pintar a óleo, fiz um quadrinho, fundo azul e uma árvore seca e sem folhas em preto. Mas havia quem me perturbasse e eu desisti de pintar e passei a escrever. Eu me sentia segura no meu quarto, onde estudava, lia e escrevia todo dia. Gostava de ver filmes e sempre acompanhava minha mãe.

Minha mãe sempre me incentivava a vencer meus medos. Marcos sempre me incentivava, ele tinha uma alegria contagiante, chegava empolgado, tinha um entusiasmo por coisas novas, esportes, literatura, música, cinema, artes, teatro. E teve uma enorme importância para mim, porque sem dúvida foi quem mais me respeitou e acreditou na minha capacidade.

Na escola, fui aluna mediana, me destaquei em português e matemática. Melhorei na escola, mas era de poucos amigos. Namorei colegas da escola. Infelizmente dois desses meninos, tempo depois morreram, um de acidente e o outro afogamento por ter tido uma congestão. O seguinte foi o primeiro amor e a maior decepção amorosa.

Então, surgiu meu marido e pai dos meus três filhos (duas meninas e um menino, que já são adultos). Começamos sem compromisso e estamos juntos nessa jornada até agora, com um relacionamento que amadureceu muito. Eu tinha um gênio difícil e quando irritada minhas palavras eram farpas de fogo.

Minha professora de português queria muito que eu seguisse estudando letras, mas eu fui estudar análise de sistemas. Ela por vezes, fazia alguém ler minha redação, e dava aula sobre escrever levando em conta. Eu até me encolhia na cadeira. E sabe, as pessoas na escola, às vezes eram ruins. Fiz um trabalho sobre moradia de educação artística, desenho a carvão em papel pardo, com uma toca de bruxa no penhasco. O desenho desapareceu. Para não ficar sem nota, desenhei a mesma coisa de novo igualzinho. Acharam meu desenho rasgado e amassado atrás do lixo. Na maquete, deste trabalho, fiz uma casinha de arame com fitas e sianinhas penduradas.

Eu tinha como sonho ter filhos, ter minha casa com vista para Pedra Grande, publicar um livro. Tive os filhos e essa casa de frente para a montanha. Uma casa simples que desenhamos juntos eu e meu esposo, pintamos de verde (por isso a chamo de castra spes – que casa esperança).

Trabalhei muitos anos em São Paulo, e aos poucos São Paulo me massacrou. Seu estilo de vida, comportamento das pessoas de lá, falta de dinheiro, mas eu escrevia nas horas de almoço, na volta para casa.

E nessa época com os filhos grandes eu percebi que minha escrita se desenvolveu. Senti que meu caminho havia sido um erro. Era minha alma, desenhar e escrever.

Perdi dois irmãos. Deca e Marcos. Gostava demais deles. E tempos depois minha avó e minha mãe.

Nessa época, tive uma experiência infeliz de amizade que veio a me machucar profundamente, nessa fase durante o luto da minha mãe, eu deprimida e muitos se afastaram. Aliás, muitas pessoas se afastaram durante minha vida.  Esta experiência me desequilibrou. E até hoje me entristece e ajuda a me jogar em depressão. Eu que me descuide, que afundo na tristeza, sensação de inutilidade, falta das pessoas queridas, solidão, e o terror que é ser escritor sem público, arte no vácuo, me perguntava “prá que? Prá quem?”. Neste mundo editorial sacana, que publica celebridades, famosos, gente que nada tem a ver com escrita, e poucos escritores conseguem chegar a você, meu caro leitor.

Esta ferramenta de blog na internet criou outras possibilidades, mas hoje em dia, cada vez mais as pessoas leem menos. Quase se confinam nas sete palavras que é o que o cérebro registra.

Atualmente, encontro-me desempregada, ajudo meu esposo, escrevo, desenho quando consigo (raramente), luto para conseguir continuar escrevendo e compor um livro, com meus poemas e tenho projetos pela metade (vários) que gostaria de terminar mas não me sinto a altura. Recentemente achei meus textos uma porcaria. Senti-me desanimada e durante o ano passado, passei uns meses sem escrever.

Tentei me reanimar a duras penas, voltar à minha forma de criar, “colocar ideias para dormir” no que chamo de semi-inconsciente. Eu memorizava uma frase de três ou quatro palavras para repescar a ideia, dormia mentalizando a ideia, e passava o tempo elas se tornavam (nem sempre) inspirações e textos. Percebi que muitas coisas que escrevi e me perguntava “como que escrevi isso?” eram ideias que eu esquecia na cabeça.

Mas havia inspirações de momento que nem sempre eu consegui capturar em preto no branco. Muitas vezes, sob grande esforço desta memória que mais me prega peças, escrevi parte da inspiração, saiu diferente, mas algo ficou.

Vivo tentando serenidade, paz, boa relação com as pessoas, suportar a pobreza, fazer o que é possível, cuidar mais de mim.

Sempre tive esse lado esotérico, essa ligação com o desconhecido e também esse mundo simbólico em que minha alma vive. Simbolismo vem de longa data.

A literatura por ser esta arte difícil, de baixo reconhecimento, ignorada pela maioria das pessoas próximas, cria um isolamento, um sentimento difícil de explicar que atormenta quase todos escritores. É a arte sem público e tem que se acostumar a isso. A música é cheia de aplausos. Escultura e pintura têm exposição e prestígio. Cinema então chega a todos. Sem me alongar mais, todos os escritores prezam seus leitores e até tentam adivinhar o que eles pensam ou sentem lendo.

Por isso, eu leio outros escritores, prestigio seu trabalho, entendendo seu mundo, e que possuem forma diferente de ver o mundo, às vezes mais agradável, às vezes mais ríspida, mas arte é assim. Provoca a mente.

Pensem e duvidem de tudo o que leem.

O jornalismo tem sido muito manipulado e manipulador. Muitos escritores sobrevivem do jornalismo, mas a realidade é que não é possível sobreviver da Literatura. Muitos escritores se mataram, por diversos motivos, mas o financeiro também.

Eu tento sobreviver. Eu tento escrever. Eu tento vencer medos. Tento suportar as ausências. Tento vencer a depressão.  Tento dar o melhor e demonstrar amor aos meus filhos e marido, permitindo a expressão dos sentimentos, que na minha educação eram tão reprimidos.

É isso, não acaba o que tenho para contar, mas hoje é isso. Valorizo cada leitor e espero que leiam de fato, ao menos um dos textos. Abraços fraternos e eternos!! Beijo na testa.

Com carinho e cordialmente,

Mara Romaro

06/01/2017

Prefirolesa de creme de baunilha e doce de laranja

Ainda que seja tarde

A meia-noite ainda não rompeu

A dúvida promete o brilho

Repensar ou verificar as sombras escondidas

É crucial para nos livrar do mal das máscaras

Deste teatro Kabuki

 

Ainda que sejam muitas palavras

Prefiro ao silêncio da morte

Silêncio da omissão e da rejeição

Sinceridades podem ser sempre conferidas no olhar

Pena que desviamos tanto, olhando o nada

que os arredores distraem

 

Ainda que seja sua intenção

tão mal julgada

Prefiro tê-las a passar o tempo enganando com razões vazias

Prefiro apertar as mãos sem gelo

Prefiro um sorriso vadio

 

Ainda que o tempo passe

Sigo com minhas queridas recordações

Certamente a mesma dor nunca pode trazer a mesma compreensão

Nas demais pessoas quando elas se fecham

Mas nem por isso eu esteja tão errada

 

Ainda que minha luz se apague,

Minha prece pode ser ouvida,

Meu sono não desvanece

O novo dia amanhece

Sempre  é possível ver a vida, as coisas, as pessoas

Com novos olhos que se abrem neste dia, com o sentimento que há dentro destas 24 horas.

 

As decisões que não se atrasem quanto adiantem

Muitos sentimentos e pensamentos serão as melhores cores das lâmpadas

Há o tempo certo para pegar a romã

Mas suas folhas brotam a cada nova estação

 

Ainda que o melhor lhe pareça

É sempre bom pensar se este não é o pior de alguém

O melhor caminho é o momento do coração sincero e de paz.

 

Mara Romaro

Verso da Folha:

20/11/15 12:13

Silêncio com barulho

A tristeza do não perene

do Caderno das Nascentes e Vertentes

Glossário

Prefirolesa – neologismo para um doce imaginário de sfogliatelle recheado com creme de baunilha, geleia de laranja e açúcar de confeiteiro para nevar de diálogo, esperança e a humildade permitirem que as pessoas corram o risco de vencer seus obstáculos e se darem mais a mão. Um doce para se servir quente do forno com café da tarde, para sorrir nos olhos e pensar quanto tempo perdido duvidando da verdade e do bom coração…

 

 

 

 

 

Projeções

Desse momento só quero guardar a lembrança.
A sensação da pele, da expressão do olho.
As sombras dos cabelos sobre seu rosto.
Desse momento só gostaria de guardar o gosto.
De um beijo mordido, de mãos seguras,
pensamentos acolhidos
no seu dorso.
Desse momento eu queria resgatar a sensação.
Ela estava dentro dos nossos rostos encontrados.
No toque da textura das peles desenhadas.
Nesse momento, encontros e passagens,
idas e vindas da vida,
filhos que vieram.
Mas o sentimento parece se reencontrar com o começo,
de uma paixão que acertou nossas árvores com seus raios.
E eu rememoriava outras transas no enquanto.
Seu rosto parecia outro.
Sua boca me cegou, seu amor me construiu.
E nossas mãos ainda estavam em nossos rostos.
O calor manso e a intensidade profunda
elas se projetavam em cores submersas de luzes.
Os suores esquecidos,
as nuvens se deitavam sobre minhas costas.
Rodopiamos e nenhum vento nos tocou.
Como se nos cobríssemos de nosso amor
Esquecidos do mundo e tempo.
Deste momento mais do que perdido, extremamente fugaz.
Quanta paz.
09/12/15 13:32
Mara Romaro