O andar

O andar

Parece com o rugir da carroça. Vejo-me externa ao tempo, ao corpo, ao sopro.

Mesmo que eu ame a terra, flores, e o branco; não há mais nuvens desenhadas para mim.

As palavras nem me confortam tanto.

O que é verde me alegra, me revive, me revoluciona.

O que não há é pensamento que soluciona.

Me parece apropriado o que eu disse, que “o invisível é o pensar do sentir”.

Mas acredite, não há sinônimos, antônimos, Antônios ou Marias, nem água morna ou fria, que traduza fielmente o abstrato do sentimento. O que pensamos saber, na verdade não sabíamos. O que pensamos entender não entendemos.

E dos mistérios, encantos da vida, o dia que te oferece as mãos para o caminhar, soa-me tão errante, o caminho de beco, labirintos de rosa de ventos.

As palavras não me agasalham para o outono que se anuncia, nos ventos calados, nas três Marias, nas oportunidades que nunca chegam para amornar este frio.

As palavras… consigo-as no escrito, no entanto o que habito, são hálitos aflitos de não saber mais dizer, e poder no diálogo encontrar motivos para o que eu acredito.

Palavras têm almas, mas são amputadas de ações que estas nos cabem.

Só vejo agora uma forma de solução. O preço é tão alto, mas para quem está descalço o que é uma bolha no pé que mais tropeça na vida que vive pregando esta peça.

Enfrento o descanso, enfrento a procrastinação e continuo sem a devida luz do dia que nasce igual para todos.

Perco meu tempo às pessoas ilidas, que atropelam parágrafos, mas tem olhos atentos em inúmeros insignificantes momentos.

Queria por vezes desistir, ter pontes de abismo, porém de labirintos não há ponto de retorno, caminho feliz, como sair dele sem encontrar o caminho certo.

Risco palavras para não as repetir a mim mesma, palavras que a vida não me traz e não me sussurra… apenas o eco.

Não há como extinguir o infinito dizer.

Ainda bem que trago no bolso, alguns amuletos, que me remetem a uma visão distante, mas nítida, que com seu fascínio me conduz por florestas bonitas.

Diversos significados convergem à mesma coisa, são as pessoas que distorcem e maculam o branco. E daquilo que se quer acreditar nasce o néscio e destrói as cores vivas dos gestos da alma Sentir.

Mara Romaro 16/01/17

 

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