Mogno Rio Negro e Solimões

Centenas de anos

Mãos que morriam

agarraram a terra

Metacarpo gerou seus rebentos

Árvore híbrida

dialética

Espíritos monozigóticos

Presos às suas costas

Antônimos de igualdades

Florescem em branco e preto

Noite e dia

As chuvas fluíram

A tempestade se formou

 

Árvore se partiu

Aos ventos se curvou

Dos seus pés no chão

restaram rebentos

 

Tufão arrancou as folhas

A vida sangrou

O estrondo não era trovão

Foi a enorme árvore

Que se deitou no chão

 

Suas madeiras

liquefeitas

Uma trazia cálcio e magnésio

do dia

Outro lado corroía

Húlmicos

Fúlvicos

Carrega sempre contido

em si

O oposto inorgânico

alma ânima

Veste-se de ocre

em uma comunhão

de inconsciente e consciente

 

Os rios que encontram

um caminho silencioso

imersos cada qual

em sua força oposta

imiscível

insensata

Flui ao mesmo céu

na foz se faz

ruidosas mãos

que se agitam ao infinito

gritando as espumas acima

suas dores e ilusões

os amores e decepções

o impulsivo e suas razões

o impossível em suas mãos

Do fluir do coração

negro e branco

castanho ou ocre

Surge em céu

de marajoaras cores

da cerâmica

moldada de todos esses nãos

 

Mara Romaro

06/02/2017
Às árvores da Amazônia
Músicas:
Mombasa – Hans Zimmer, Cantata nro 16 – Chad Lawson, Autumm moon on a calm lake – Lang Lang, Meire Welt – Heppner, Orchestral Suite nro 3 in D major – Lang Lang
Espíritos unidos em antagonism, inseparados, contrafeitos nos sentimentos que carregam no mistério impossível, silêncio e barulho, tudo ou nada, sim e não.
Pensei ontem/anteontem lembrando que no livro da noite cito o relâmpago como se fosse rio e afluentes (Amphitheatrum Silvestri) , neste caso, Mogno é árvore de duas existências antagônicas Mogno-do-Peru e Mogno-da-Austrália (escuro –ébano). Deste tronco bicolor, ao cair no solo são os rios Solimões e Negro, um de composição básica e o outro ácida, um branco e o outro negro, e da origem branca do cálcio e magnésio agrega a lama se tornando ocre. São de densidades diferentes, por isso em sua confluência que origina o Amazonas, não se misturam por 10 km.
A foz, o desague é diante da ilha de Marajó, famosa por sua cerâmica de adornos coloridos únicos.
#ParemdecomprarmadeiradoBrasil
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