Vidraças

Estou exausta

Limpei vidraças

Os batentes

Combatentes

Retirei o pó

de ouro do sol

Gotículas secas

Restos de aranhas

Colmeias

Areias

 

Limpei as vidraças

a expirar meu cansaço

No pano fuligens

Restolhos de nevoeiro

Nuvens

Limpei

Tanto que me deu dó

meus dedos ficaram pelas frestas

Suor desceu pela testa

Unhas foram engolidas nas minhas estranhas

Passei a olhar

sem véu

sem acúmulos

sem cúmulos

nimbus

Sem sinos

Sem sinas

Na árvore, lá estavam

eles sacudindo-se

pavoneando-se

dançando verde

Eu escarrapachada

Exausta

 

Queria verter minhas coisas

Queria clarear o lamacento

Queria comer gelatina de limão

com as mãos

 

Exausta. Ai, me abraça,

me acalma

A luz que entra rasga minha parede

A balançar sozinha, a minha rede

 

Eu lá. Parada. Esperando ainda.

Limpei as vidraças, quem sabe

vens ouvir junto esta música

Voar em dispersão

Esconder dentro de nuvens

Não vens

 

Limpei vidraças, sem graças

 

Estava um calor

Dois calores

Três calores

Quatro amores

Cinco amores

Seis amores

Sete pavores

Eu não sei mais contar

Quantos vidros, vitrais,

cacos deixam de me enevoar

Posso abrir a porta

e deixar o ar entrar

 

Limpei as janelas

vens e tens este momento

a pintar sua retina

sua Iris, seu nervo

seu estar

cristalino

 

Mara Romaro

16/02/2017 tarde

No mezanino, com Ártemis.

Agora me restam os tetos.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s