Carta aos números

Carta aos números

 

Aos quatro do mês cinco de dois mil e sete, vinte horas de hoje. Fração do relógio. Fico pensando o que faço com a sexagésima parte do minuto?

Lanço meus passos binários de um pé após o outro, com o foco do olhar abrindo 180 graus de milhares de pessoas trilhando o tempo que elas pensam ter.

Desço degraus de noventa graus, com os meus dez dedos dos dois pés flexionando em busca do plano a zero graus.

A altitudes de 1000 acima do mar, na cidade dos bilhões.

Um. Uma. Aqui paralelizando meus decanos de pensamentos para pulverizar a 360 graus.

Minha vida que se leva, acelera a velocidades incríveis de 50 nós a estibordo, decolando os zilhões de fios de cabelos de espirais de DNA do cromossomo 21.

Séculos de vezes que tentamos decifrar as senhas da vida, e entrar para o universo de todas as latitudes.

Busco abrir sua janela de fronte a via láctea zerando todos os nulos, vazios e vácuos. Tantos alqueires para te dizer, e reservo meu lugar na mão infinita de Deus, nesta abóbada em curvatura de 360 dimensões.

Onde estava quando pingou a última e prima gota de orvalho dos céus inquietos e repletos dos mistérios da álgebra e relatividade?

Equações de x e y para obtermos o âmago de nosso tamanho.

Ventos a 10 jardas e 5 pés, impulsionam o pulsar de batimentos de 120 ao minuto que inicia a marco zero.

Aos três de doze que nasci, nove meses e luas.

Aos três filhos e doze filhos que eu e mãe tivemos, e das vidas subtraídas.

Aos 4 quilos chorei, aos nove quilos andei, nove engordei quando engravidei, pesei muitas vezes as reveses e erros, onde me enganei?

Uma em um milhão probabilidades de te ver, centenas de chances de perder o próximo ônibus.

Sentar na poltrona três, são chances diminutas.

Mergulhadores em taxas e percentuais desreferenciados das frações do tempo que lhe resta. Já comeu um oitavo? Dois oitavos? 3 ou 4 da pizza da sua vida?

Plural é para os outros.

Você é único, a voar a velocidade do som, cair pela gravidade dos fatos e fatores multiplicadores geralmente de problemas.

Tudo que eu queria era 1 miligrama de probabilidade de ser mais valiosa que d9nheiros, cifras , ganhos.

Sou doze avos da família onde meu pai diverge sua paternidade para mais filhos, netos, bisnetos de geração dos infames.

Décima geração.

Raiz quadrada de dois é um casal, que se multiplica em cinco.

E quantos mais virão?

E quantos mais precisarão morrer para você viver sua única vida?

Uma?

Tem certeza?

 

Mara Romaro

Verso da folha                                              Carta aos Números

[4/5/07 20:30 ]

Rodoviária em sexta-feira, fervendo de gente.

Quando vi a placa de inauguração : «Aos três…» tive a idéia, e as palavras estavam passando em minha mente. Bateu o desespero de perder as palavras, esperei 20 minutos até poder entrar no ônibus e escrevi com o ônibus andando.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s