Carta ao Vento II

Enquanto as primaveras ainda sorriam para mim, com seus dentes purpúreos, brancos ou pêssego; eu sentia o vento das folhas com cheiro de musgo, com céu que levanta para eu ir embora.

Eu ainda tinha que ir e você a arrastar as folhas pautadas por escrever, que estavam sobre a escrivaninha da minha mente.

Você sacudia a cortina semiaberta da janela posta sobre meus olhos.

Havia uma temperatura fresca como o bater de asas do beija-flor, sobre as flores brancas insistentes do meu jardim.

Um dia para se deitar no gramado molhado da densa chuva, a sentir você passar sobre meu rosto, embaraçar meu cabelo, sem a pretensão de trazer grãos de poeira ao meu olhar.

Assim, desfalecida a ver o céu abrindo as nuvens desfeitas.

Céu azul maestro dos seus gestos, estende seu braço carinhoso sobre meu rosto, no seu dedo leva as lágrimas que se perderam do meu coração. Pérolas órfãs de sentimentos, que você carrega para suas nuvens.

Vou indo, vou indo.

E quando as folhas verdes que você sacode, vão ficando prá trás; fico com o ouvido percebendo o rufar de sua respiração.

 

Vento que limpa meu céu de hoje,

meus olhos de agora

e transpiro o desejo de viver,

de sentir

o afeto da vida por mim

nas suas mãos.

 

 

Mara Romaro

II [09-02-2007 8:27 / 8:39]

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