Mergulho em águas rasas

Mergulho em águas rasas

 

Nem bem amanhecia

eu tinha algo nas mãos

um retrato que desfazia

um olho d’água

espelho de estranhas imagens

um lago de cachoeira

ladeado de tecido verde

musicado de um cricrilar ininterrupto

 

Eu podia mergulhar nua

uma água fresca e não fria

veste-me como camisas xadrez vermelhas

Nado as ondas da expressão facial

nado um lago de mel pintado em lábios

nado arroios castanhos de seda

O vento sacode em ondas amorfas

alcanço lago branco em leite

piscante em brilho reluzente

Continuo a nadar a pele incandescente

Marcada e tatuada de sol nascente

Nado afastando as folhagens

de costelas de Adão

Nado para o vale sagrado

atravesso o poço umbilical

e chego à margem doce

dominical

Nado do Quadríceps à  Fáscia Lata

Perco-me em Grácil

Afogo-me nos joelhos de Vitórias Régias

Por fim, renasço em meu novo dia

Ao ter chegado à margem oposta

Tocando Tálus e Calcâneo

Passei através

enquanto

a luz do dia nascia

e sua água amainada

ainda dormia

imaterial diante de mim

Envolvendo a íntegra do meu jardim

 

Mara Romaro

26/04/2017 10:10

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