Águas Profundas

Águas Profundas

 

Sinto em tato frio

Luz fraca

Fossa abissal de plânctons vivos

Cores inexatas

Seres submergidos

que tocam a tez subcutânea

tendão contraído do andar

Eu mergulho em correntes

sanguíneas

em correntes profundas além da inércia

contra gravidade. flutuo

estendo os braços nadando

através das veias e artérias

através da matéria

Transcorro mares perdidos

Transcorro sua vitalidade

ritmada em ventrículos antagônicos

 

Navego vermelho e encontro o ar

branco, nevoeiro

que cortina seu pulmão

Mergulho ar e vento

Vibro em sua corda vocal

Proferida em sua fala

E em azul chego ao seu

mar orbital

uma mente retorcida

de pensamentos e sentimentos

nadando

reclusos nas profundezas do mar

oceânico

Minha presença assusta as

raias e as violetas

Meu tocar invade sua ilha

de percepção

Sua visão se turva

Eu emirjo, minha mão aflora

através do brilho que desabrocha em seus olhos

afora

transborda em um instante de lembranças

A água tremula forte e se acalma

O amor foge, evapora

Ascende ao céu, seu rosto se acomoda

o coração se contrai, acelera

Bate e o sangue se contorce

na crossa arterial

A pele aquece

Ouvido se apaga

Um tremor que passa

num átimo desse meu mergulhar

 

Mara Romaro

01/05/2017 22H. Em casa, mezanino.

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