Parafinas da Claridade dos céus azuis

Parafinas da Claridade dos céus azuis

 

Continuei

Não entendo como

Sem um sorriso distante

Um céu azul claro

Feito de fragmentos madrepérolas

Continuei

navegando em barcos brancos

olhar de uma flecha de alcance

não sei como consigo

perante os abismos

meu coração em sismos

Sonhos invadidos de presença ausente

como um querido ente

a dizer enigmáticas ilusões

Continuei

com solas feridas dos pés em dormência

com a sensação da sua existência

chovendo pólens de frutificações

No ar parado há um morno

acobertar a acordar-me do sonho

de viver você

de amar o quê

um significado soldado triunfante

espírito sobrevivente

ao asfixiar de emoções

Continuei

meu andar dolorido

meu queixo caído

com olhos diluídos

De uma sensação maior

a de voar pelos ares

cuspida por um vulcão

Continuei

ferida e querida

no seu olhar confinado

em condenação

Minha vida respira

pela polinização

nas abelhas

na dor

Continuei

erguida, sentida

dos gestos do golpe de ar

dos gestos da alma incontida

do amor que veste

que me cura

em cada noite dormida

 

Continuei vendo o movimento

o adernar de pássaros

a desenhar nuvens de bordados

rendas brancas tecidas no orvalho

de mãos dançarinas

a me iluminar em lamparinas

Quanta saudade

de suas

Campinas

 

Mara Romaro

29/5/2017 16:04

Música: Ryuichi Sakamoto – Affirming

– Sinto sempre comigo o que é antigo.

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