Invasão

Invasão

 

Meu país foi invadido

e tanto

Cruzou minha fronteira

com seus enxames de abelhas

Vestidas com casacos manchados de seu piche

Minha vida foi engolida

na praia da sua boca

Sento-me no limiar de um branco

Divido-me quando encontro o serrilhado

Entrego o ticket para o cobrador

Havia três degraus

Tropeço no último deles

Alcanço nãos cheios de dedos

Perdi meus níqueis

Preparo drink de liquens

Sua penumbra sobre mim

fala em grego

com pedras na boca

Olho o meu olho

Ele foi invadido também

Procuro chicotes para expulsar

essas coisas de lá

De tempos prá cá

Brinco de anagramas

com as pragas da grama

 

Você invadiu

o reboco apodreceu

dele caem os cacos

nem por isso

sua permanência

se degenera

 

Ampulhetas paradas

Eco calado

em meu amor servil

 

Como poeira

removo partículas

uma a uma

para limpar o rastro

da minha palidez de alabastro

 

Que cruel é o desvario da vida

ao invés de fenecer

blasfema com perdurar

Nada posso com infames

com os cupins e

formigueiros

Ácido se espalha

queima o músculo estriado

enlouquecido na sua própria

razão

 

 

Mara Romaro

1/6/2017 14:58

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