Amor absoluto

Amor absoluto

 

Rodopio no ar alto

Mar adentro – Rododendro

Gêiseres de quartzo branco

Mergulho noturno

Gestos irresolutos

Corpos pregados

Mãos fundidas

Beijos

Sabores fecundos

Amores perdidos

Beijos intensos

Amor imenso

Lua de incenso

Raio de sol

Vento de arrepio

Redemoinho em corrupio

Amor ao meio-fio

Amor à meia-lua

Beijo de meio-dia

Tocar e pegar o braço

segurar o aço

comer um maço

fumar como cigarro

consumir o sonho

rolar palavras deitadas em chão

chão de fora

chão de dentro

Mastigar Morder

casca de maçã

Amar o afã

Amar agarrar

Soltar um brado

um bravo

O gosto do cravo

A tecla do piano

O som do miado

Lá fora o cricrilar

ou

o piado

A pele veste sua vida

Pele caramelo de mel

Corrói paladar

no voo das asas batidas

das estrelas opacas

 

Amor insolúvel

Superfície de água

Flutuação de mão

no dorso do pescoço

 

Amor magnético

Ausência epilética

Zona morta

Polo desnorte

Ar de morte

Brisa a noite

Brilha o céu

Invertidas estrelas em negrumes

 

Amores de esfumes

desenhos insubstanciais

o pó de dentro vem do quintal

Amor sem avental

Amor à mesa posta

O sexo no olho d’água

O sexo no pensamento da

semente de nozes

 

Amor inconcluso

Raciocínio difuso

Amor catarata

Pensamento errata

Amor obtuso

Fixo o parafuso

Prego o prego

Martelo dedo

Dor do absurdo

 

Amor mudo

Andar mundo

Comer vento

Sorrir dente de leite

Na bolsa andarilha

o vazio do umbigo

 

Amor roto e sujo

Amor renegado que

é usado casaco no frio

Amor incorreto

andar abjeto

corcunda ereta

Mãos exatas

que colhem o rosto das faces

As faces do gosto

Guarda a palma

no rubor do susto

mãos delicadas

pegam o suor da testa

o calor da boca

o amor do céu da língua

o enxague do mar do palato

A ponta do dedo

caminha pela descida

pela trilha de sobrancenho

pelo fim e pelo começo

pelo traço

do bagaço de poncã

o beijo adormece

no pranto do canto

da boca

o beijo repousa no seio

da face

o beijo tremula a ruga do olho

o beijo encosta o verso

inverso do avesso

do braço

do antebraço

do abraço

de orelhas voadoras

 

O amor do olho

O amor da testa

Amor do sinal

desenhado em osso

as palavras secretas

entalhadas no interior

da crossa

do fosso frontal

pensamento cerebral

 

O amor imortal

 

Navega pensamento livre

oceanos líricos

experiências empíricas

sensações físicas

de amor incessante

pulsar

tambor de música

desabotoar de blusa

O amor imoral do sal

 

Amor expirado

do ar cansado

do correr do tempo

da braveza do vento

da dureza do cimento

e toxidade do amianto

 

Amor que canto

Amor encanto

mágico hipnótico

curva senótica

Olho sem ótica

 

Amor que escuto

Amor que espanto

Amor absoluto

 

Mara Romaro

Verso da folha:

23/07/2017 14:20 a 14:36

Música: Power os love – Dark Tenor

Dedico àquilo que não pedi.

Curiosidades: meio fio ou meio-fio, neste texto seria ambos os sentidos, grafei com hífen, mas tome-se o duplo-sentido. O aço tem também o sentido da frieza. Chão, é para soar e lembrar o corte da carne, falo do chão mas o chão interno, a se misturar com a carne do corpo. Esfume é desenho ligeiramente borrado dando meios tons. Falo das viagens para fuga do vazio de cada um. O termo senótica é neologismo para referenciar efeito ótico da refração, a curva simboliza em minha metáfora a visão distorcida, se pensar no plano da luz refratada, a incidência da luz muda de ângulo, determinada pelo seno do ângulo na luz refratada. Não confundir com sinótica.

  • Enterrei sob as raízes da árvore

 

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