Gesto de Amor

Altos carvalhos estalavam

nas súplicas ao relento

Um ar que me circulava

Tocava-me com mão

meus lápis desenhavam

a palma, o gesto,

um colher

mão aberta

Uma luz viva contornava

Intuitivamente despi inquietações

Ouvi meu interior

Quis estender mão a ti

Ela pediu um calor de si

 

Cada momento, o desenho

disse-me inúmeros gestos

Se meu coração estivesse

Eu sentia no desenho do gesto

 

Por vezes, uma despedida

Outrora uma mão em afeto

Por enquanto, mão vazia

Em prantos, a mão de súplica

Em desespero, a mão colhendo

a voz de Deus

Nas trevas, a mão não mas o pulso

 

Vi tudo

Claramente percebo a mão sem

Vejo

os lindos gestos de amor

que brotavam na sua mão

Ela traduzia belamente

transitando o rosto de minha pequena

Como se o afeto pudesse

transgredir o tempo e

existir para meu descendente

aos seis anos

O gesto de afeto que não esqueço

como se fosse algo que queria

fazer indiretamente a mim

 

Por gestos de tocar

Eu nunca recordo

Procuro olhar as linhas da mão

Penso nas costas da minha mão

com os dedos que se apoiaram

Gestos ambíguos

Eu os decifro

Eu os seguro

Eu revejo não reavejo

 

O tempo caleja meu coração

mão estendida

O gesto sem gosto

O afeto não sinto

Meu coração é que sobe no evaporar

Minha garganta se fecha

Mas respiro tranquila

Bebo a água da fonte

Cabelo esvoaça

Sinto pelo feto, pelo fato

pelo espaço, pelo inato

 

Quis estender a mão assim que a vi

Ela sorriu algo imperceptível em si

 

O tempo viaja de vagão

As malas se perdem

 

O gesto permanece estático

Ombro convexo

Amplexo vago

Seguro em mim mesma

Os mistérios da vida

das águas que segui

 

Cada momento, cores foram

simulacro de vácuo

de gestos contidos

de gestos omitidos

de gosto de gesto

se o meu coração quisesse

eu sentia na cor

 

Por vezes, um cumprimento

Outrora, uma mão no ombro

Por enquanto, mão nenhuma

Em prantos, a mão desliza o cabelo

Em desespero, uma mão que aparece

voz de afeto de momentos seus

Nas trevas, a mão firme segura o pulso

 

Vi nada

Claramente percebo semente

Percebo o que não foi dito

Foi escrito em gesto

Incompleto

Fosse afeto

Fosse amor

Fosse indigesto

Não fosse razão

não fosse como se fosse

fosse o que fosse

Apenas gesto

Toque

ímpeto e coragem

amor em viagem

Todo carinho

vivido em amor

e me divido

posso ser gesto

em duas mãos

Ainda pode ser

gesto o seu ser

em amor

 

Mara Romaro

10/07/2017 14:26

Música: So lost in your Love – Gary B

Cartas Proibidas

Poema a respeito de um desenho que fiz, muitos anos atrás, em acampamento no camping dos carvalhos em São Lourenço. Um desenho visionário. Um emblema para mim. Desenho que vejo ao dormir e acordar. Desenho que significa mão estendida, mas conforme nosso ânimo de espírito vemos outra coisa. Mensagem mutável e uma clemência de oração para que os gestos de amor se libertem e se materializem.

[ Gesto de amor, foi um de meus ideais em curso nos meus dias de 'Um verso a cada dia'  feito na prática]

poema que não aprovei

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