Ele

Ele

– I –              11/8/17 11:33

Vem, meu querido

como mãos do mar revolto

entrelaçadas em todos os vãos

A rolar-nos em mar aberto

dos nossos abraços

justos, apertados

dos nossos rostos sumidos

ensombreados

dos nossos amores vencidos

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Semanário de viver -23 julho-10 agosto

[ Após as experiências de uma frase ao dia, resolvo escrever anotações diversas da vida, de percepções e coisas que fiz. Resumo alguns pontos que colhi como interessantes. ]

Semana de 23 a 29 de julho

Entre momentos vazios, reorganização de lixo e nicho ou mich. Tive dor, tédio e noção de poção. Tento esvaziar emoção com ocupação vazia e palavras me tropeçam em carvão e musgo e palha de grama seca. Atormento o dormir, acordar do ‘não consegue’(…) Não razão me aprofunda voz do sino caído (…)

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Almoço de Delírios

Almoço de Delírios

 

– I –

Almoço

pedacinhos de pétalas derramadas

Ar gramado ponho à mesa

Os talheres feitos de lápis

corto casca que

descasco do céu azul

como gelatina de anis

Do saleiro em forma de

torre de xadrez

Derramo sal da luz do sol

Bebo do meu cálice

Ar da hora da meia-tinta

o gosto do amargo do resto

de vento

espalhado no canto do prato

Azáleas insalata

Sozinha neste meu quarto

feito de lago

Arroz com feijão

feito de trapo

Bife desenhado a lápis-lazúli

como o ar esquálido

como folhas desérticas

 

como as cores aos pedaços

 

mastigo os fatos

A pimenta fica por sua conta

se chegasse trazendo o acaso

 

-II –

Volto mastigando os aromas

Degusto o gosto do

churros passando algodão

de miolo de pão

no prato da fumaça de fritura

Louro de feijão

Como pastéis, anéis

passos largos

cheiro de frango assado

Alimento do gosto

do desgosto

do aroma invisível

que despedaço em nacos

de papel

desenhados com mel

 

Sobremesa de Samantha

açucarada com café fumado

em algum dia de cetim

 

Mara Romaro – Almoço de Delírios

07/08/2017 11:49 e 12:59 – Com dor, com dor e espanto.

Música: Aire – Almara

 

Revoada de Arrebol

Revoada de Arrebol

 

 

Voei porque minhas mãos tocaram o céu

Continham brilhos de

arrebol pálido

sorriso morno

Pedrentas nuvens

Anúncio de frio

Caída a tarde em meu joelho

Acarinhava prantos recolhidos

Revoltos com olhos carcomidos

afastavam um rosto de relembrança

Na busca

O céu me trazia a revoada

Ao longe um bando de Egrettas

refletiam minha agonia

refletiam últimos lumiares

Um bando branco tingido

Agrupado dispostos em V

Vitória de transição

Ao poente me vou

Ao poente meu sorriso

Mais bandos

Grunhiam passando sobre mim

em subgrupos aninhados

Aos colos do céu obscurecido

De uma saudade

enternecida em um

simples sorriso

Meu amor se punha em voo

Ar que não se opunha

Só eu me pus a ver

Migração de inúmeros bandos

O nunca visto aqui

no meio da rua sozinha

Eu e baratas de bueiro

Faróis de carros de passeio

Faróis da Barra

Faróis de sóis veraneios

Eu aqui amando

amando o amor

devaneio

 

Mara Romaro

04/08/2017 11:30

Biblioteca Municipal – dia de estudos literários

Música: On the Nature od Daylight – Max Richter

Sobre um grande momento de fim de dia ontem, com a chegada de muitos bandos de garça branca pequenas, não eram verdes, então não eram bandos desordenados de maritacas, não eram patos, não eram gansos, nem garças grandes. Eram brancas, grunhiam discretamente iluminadas com a última luz do dia, já esmaecida em tom purpúreo acinzentado. Uns oito ou dez bandos, grandes, outros com menos, indo em direção ao Jardim Paulista. Nunca havia visto uma migração inteira assim. Egretta Thula – garça branca pequena, aproximadamente 54 cm.

Cântico da Claridade do Céu Azul