Ele

Ele

– I –              11/8/17 11:33

Vem, meu querido

como mãos do mar revolto

entrelaçadas em todos os vãos

A rolar-nos em mar aberto

dos nossos abraços

justos, apertados

dos nossos rostos sumidos

ensombreados

dos nossos amores vencidos

Quero seu olhar lúcido

Que me abrande

Fogo de chão que me brota

no relento das costas

alcança suas mãos

Vem, em ar rosa que aspiro

no azul que expiro

segurando folhas de oliveira

a planar nossos tempos

Ah, querido amor dos

nossos milhares de dias

Traga-me em seu olho

uma boca de beijo

Traz seu gosto inteiro morno

e úmido de salivas de amoras

Vem, me namore,

abrace-me verão de amores

Abrace

Traga o desenho do maveca

feito de tons cinzentos de nuvens

com asa de gavião

Entraremos e planaremos

todos os amores que temos

Vem. com meus olhos

que empresto as matizes de outrora

que coloco meus mais delicados

beijos  e doces macios

a um lanche no pé da montanha

em tapete verde de cordas

de braços apertados em

_                             nós

Vem se perder em

mar de vento

em alto de montanha

Mãos amarradas em

todo nosso viver

nos nossos sonhos

recostados no carinho

bem escondidos nesse ninho

de passarinhos

recém-nascidos

– II –              13:13H

Fique um pouco mais

Com as mãos em dança de roda

Com as mãos nas redes de pesca

Com as mãos na nuca da testa

Trazendo cinco algodões doces

trazendo chimarrões

trazendo planadores e aviões

Para sentar conosco em

balanço de remanso

Fique com seu olho pousado no pinheiro

cante junto quaresmeiras

plante junto sementeiras

mãos juntas nos nossos candeeiros

Fique, no almoço

nos engasgos de caroço

nas risadas dos nossos

milhões de filhos

nossos queridos amores

Fique com suas mãos

abraçando-nos junto

nesta cesta de tenores

nesta sala de luares

nesta casa tatuada de

_                        mares

Amores de          mares

Fique querido

amor amigo

-III –              13:20H

Vai, são nove horas

Sol tocou a campainha

Leve, solto

comigo na sua blusa

mergulhantes às bochechas

_                    das tempestades

Vai, busca um bocadinho

de bombocado de marfim

Vai, comigo em abraço das

_      costas das portas

_       dos anjos das asas

_       tortas

Vai, vamos nessa hora

com a cesta na feira

com a sobrancelha abrir caminhos

nos descalços dos descasos

rindo e andando

às nove horas

Vai, leva um pedaço de bolo

_  um pedaço da minha mão

_  um beijo de tesão

_  um rubor de verão

deixa as broncas na outra

bolsa da outra hora

Agora vai, me abraça, me

sorri e me agora

Mara Romaro 11/8/17

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