Diário do universo paralelo [1]

|30 Dez 2017 11:21 a 13:52 | Descrição de sonho lúcido da loucura, essa que devo regar e deixar em forma diariamente para poder ser a poetisa de eu mesma. | Música: Kissing – Bliss

Não posso esperar o milagre da cura. Não por sentir e seus efeitos colaterais. Não há tempo para espera, não seria maravilhoso que acontecessem expressões que não podem ser faladas?

Não obstante não devo ignorar que causas e efeitos puderam impulsionar um tipo de vela, mas fui eu que a conduzi em lugares que deveria conhecer bem, tantas vezes andando por estas rotas rodeada de perigos diversos. Como sonhos masoquistas de gostar do cheiro do risco, das prováveis sensações de cair em si com as mãos vazias, o suor da frustração da ausência, e pior, conhecer o comportamento que me fere, me fere sempre, e não desisto de me espetar em espinhos para tocar as rosas, as quais não tenho mais coragem de arrancar do pé e ver desfalecer o rosto corado e vivaz.
É engraçado, porque quem escreve vive das andanças nas sendas de ilusão, vive tecendo comparações e sentindo, numa espécie de oitavo sentido, uma percepção aguda de coisas nunca vistas, mas também de um nono sentido, o de projetar acontecimentos impossíveis, realidades além da fronteira, mas a descrição desses lugares, paradisíacos ou sendas do recanto macabro dos malogros e fantasmagóricas alegorias perdidas e depostas dos sonhos inacabados e destruídos, dos destroços levados em barlavento para litorais gélidos.

Read More

As linhas da mão

|20/12/2017 19:47 | Músicas: Janeiro – Mystic Diversions, Restless one – Chad Lawson, Cage – Ed Carsten ,The Call – Cantoma |Tornar delicadeza tudo que acariciar, A sensação do poder de transformar , nas carícias sinceras e mais profunda, do coração. No vazio. Na solidão.

Nas mãos toquei
as paredes dos muros
rosas secas dos mármores sujos
Sentia grânulo, poeira
Read More

Germinações do Desejo

|27/12/2017 Quarto

Brilho Erótico da Água

Sede que ferve
Efervescente gelo que rodopia
na minha língua
Abocanhar da água em fervura
Nas águas que adentro
meu desejo transpira
Água termais
Degelo sublingual polar
Mordida de estrelas na carne nua
Mandíbula abocanha o nível d’água
como lobo perdido
flutua a pelagem no correr do fluxo
Por onde passam folhas, asas, penas,
tapete de flores
Um leito de amor aluvião
que goteja ardentemente do meu olho
Cada gota, um sabor de um pouco
a vontade do amanhã
Mãos finas que podem tocar
frescor de noite chuviscada
no ensombrar de emaranhado
Read More

Questão D

Tive muitos tipos de dor na minha vida, as físicas sempre tenho uma parcela de alento que elas são passageiras de um momento. As dores do afeto ferem direto no peito. Mas o que dizer de dores tão profundas e perenes?

Como me pergunto, como posso sentir essa agonia profunda, da perda repetida, do abandono materno e da separação violenta de uma filha da mãe.

Read More