Carta em tinta invisível

(13 Agosto 2018 20:17 Schutzengelb – Unheilig)

A certa data bissexta da hora retroagida, na luz acabada, sumo ácido premido no êmbolo, pena antiga ríspida, sibilos cortantes no papel celofane. Letras góticas, arabescos aramados, canto do globo ocular pestanejante.

Memória ebulida pairada em partículas Read More

[Citações3] [ Vipassana desenhada a lápis sanguine e carvão][Análise sobre os desenhos de tinta espelhados]

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Em breve, lançamento de livro – Vipassana desenhada a lápis sanguine e carvão – pela editora Chiado Books Portugal, Brasil e outros países da língua portuguesa. Siga a página do livro no facebook. Muito obrigada pela leitura.

Página: Vipassana desenhada a lápis sanguine e carvão – Mara Romaro

Vendedora de areias

Vendedora de areias – Grãos de areia
|19 Junho 2018 0:10

 

Se eu pudesse ser
o que seria o ser ia
que o vento trouxesse
sua própria mão
ou que falasse
sua antiga palavra
Se eu pudesse eu estaria
a ser muitas faces
do equilíbrio
do agasalho
ou esconderijo
ou assobio do riso miúdo
O som tremulado do papel de seda
e letras cadentes
em passo cadenciado
ergueria sua sombra
para que este manto
nunca se arrastasse
em lama, ou se puísse
das farpas adjacentes
Se eu pudesse ser
eu mesma riria
seria a mesma
de entre sempre
um caminho campestre
um picnic à meia sombra
seria uma cesta
de tortas de maçãs
delícias de horas soltas
em laços desfeitos
da alegria de lã despenteada
até do olhar de súplica
do cão
Se eu pudesse
permaneceria
e teria sido sempre
parte de seu coração
numa canção tocante
uma saudade que
sempre deixa seu pé de fora
uma palavra que
realmente se fizesse
significar
em milhares de atos
de buscas
de leal replantio
de cuidadoso abrigo
de alimento aquecido
de promessas mantidas
de segredos escondidos
de pacto selado a sangue
de alegria pela alegria
de tristeza pela tristeza
Se eu pudesse
seria o abraço
Mas é que, andei muito
trôpega e exausta
meio perdida em florestas
ferida e gelada de chuvas
perambulei mangues
intrincada floresta ressequida
procurei a cor do sol
os dizeres mágicos da lua
a chave mestra
que eu imaginava ser
a persistência
mas no final
eu cheguei diante da porta
ela trancada não responde
a nenhuma palavra aprendida
e eu levei a amizade
em um bolso furado
que foi escoando
tal uma ampulheta quebrada
Fez-se dunas
Fez-se um areal de brilho
ao sol
um vítreo espelho
cortava com luz os ares
eu me agasalhava
desse morno sopro
uma esperança
num espectro que eu cria
e diante de porta
tomada de miséria
pareço ser um ser pedinte
e não aquela amiga
que a amizade poderia
verdejar a perder a vista
Embora meu bolso esteja
assim
eu nem possa recuar
e recolher os grãos
Somente feita de mim
mesma e da convicção
sei que ainda posso
dizer na sua fronteira
do eco e da ilusão Read More