Adendum – Posfácio II

Posfácio II

 

|27 Novembro 2019 17:54 até 22:22 parcial, 06 Dezembro 2019 13:30 às 14:40, 13 Janeiro 2020, 17 Janeiro 2020, 11 Março 2020 | osseus | R04 | R08 |R16 | R19 – final para colagem no _affectio.  Versão fechada.

 

Capitular

 

Há inúmeras imagens poéticas, símbolos que eu poderia descrever, no entanto me centro em alguns textos e suas particularidades, para dar uma ótica do que foi o processo criativo e a profundidade dessa transliteração poética de registros auditivos sobre amor. No início não sabia como sucederiam as espiras e os relatos.

Papilio de 15 Virtualis

O voo da borboleta em inesperada aproximação, trouxe em seu rodopio uma espiral que derivou mais a amplitude do roteiro espiral, não apenas por intercalar acontecimentos em sincronismo, doutro modo me concedeu a percepção das vistas, ângulos do tempo, referenciais pessoais e entremeio de tempo presente. Tudo novamente, foi um processo poético-afetivo.

 

Turris de 9 Flos

Os torreões do feudo e as armaduras nos obstáculos do elo e dor. O amor encarcerado nos anteparos físicos – distância, decisão, receio, medo, vergonha e os anteparos virtuais – bloqueios sociais, anonimato de pesquisa e leitura, olhar distante e compartilhamento sem rastro. O som que não se limita nesses obstáculos, representam a escrita, no soar de instrumentos musicais. São as situações da própria história de amor que se perde nas irradiações do deserto, esse local sem fim, sem determinação de rota, árido que abarca o livro e essa presença virtualmente etérea, que coexiste nesse elo de forma que não se pode determinar materialmente e em fato. O torreão é o ponto de vista, o local mais alto de campana para essa vigia.

 

Cælitus Lucis 8 Luces

Foi uma gestação para um ser, numa preocupação com sua respiração, neta de minha irmã que houvera perdido duas meninas. Nossa ânsia mais esplendorosa desse raio de luz.

 

Siderĕus de 8 Luces

Uma das exposições difíceis, a demonstrar sentimentos da sensação de presença de F em amor carnal, etéreo, como um momento sonâmbulo e de despertar. A sensação dessa projeção houvera sido recorrente, intermitente em dias e intensa. Essas luzes são as imagens das constelações, como uma órbita de imagens esplêndidas que denotam o êxtase.

 

Criptae ‘Palazzese’ de 7 Praestigĭae

A cripta é a permanência através do tempo, pois a imagem poética do mar, ondas, simbolizaram o amor entre mim e F. A cripta era quando o rochedo se rende ao mar. A falésia é cingida pelas águas em grutas em locais inexpugnáveis. Essa gruta trazia a imagem do lugar mágico com seu mirante de mar infinito, numa eternidade construída em local fascinante, panorama incrível do restaurante ao mar. Vista dessa persistência da coexistência. A cripta traz essa submersão e traz esse local introspectivo na rocha, que pode ser considerada meu casamento, e o afastamento de F. Mas o local e seu horizonte são a harmonia da beleza, e dessa intromissão do mar.

 

Solistimum Castrorum

Como momentos que expressaram liberdade profunda, felicidade, união e imersão na natureza, como o empírico aos filhos pequenos. Todos esses momentos eram memórias douradas de nossa vida, trazem e confundem épocas e lugares. Não o sentimento. Foram aglutinados alguns momentos para representação em alguns textos. Ilustrados em aquarela em papel simples valem o registro de fotografias analógicas. Locais referem-se ao Camping Pedra Grande, dos Carvalhos em São Lourenço e das Pedras em Itu.

Balnĕum de 6 Sollistĭmus

O banho representa diversos banhos e nudezes. Representa uma descrição de clímax sensual que tem a percepção da distante relação, entre M e F. O banho também foi o local de gravação do áudio mais profundo dos registros, o amor dois, que acolheu importante expressão de sentimento mais puro. O banho de imersão teve essa sensação também de marcar o início do dia para alívio de dores crônicas, e que traziam o conteúdo das madrugadas, nas quais acompanhava a ‘imprensa de palavras’ cujas leituras ocorriam nesse espaço noturno, também usado como metáfora interlúnio, intercoluna. Esse banho especificamente faz a nudação da alma e encontro com F.

 

Ros Aridam de 5 Matercŭlae

Orvalho árido traz em si a morte da imagem poética, de certo prisma, que essencialmente era uma figuração do sentimento materno de F por M. A condensação trazia essa sensação marcada por inúmeros gestos, expressões faciais, falas e tons de voz que muito certamente camuflaram a verdade, dando contraposição. Não sempre, mas muito destacada em momentos tensos. A aridez representa o engolir do deserto. Um ambiente pós vida. Um espaço sem dimensão. Traz uma jornada de pés e areia, e tempo. Marcante e tormenta para M. A aridez – obstáculo, o silêncio e distanciamento (que não significa distância).

 

Noctiuagus de 3 Adscita

Notivagus– noctívago é um escrito simbólico para um fato. Um fato percebido com senso um tanto diferencial naquela ocasião. Analisado e reanalisado. Momento que se deu ocasião de festa, embriaguez, atendimento médico e pernoite na casa, foi disposto neste livro em alguns descritos segmentados. A noite foi um momento guardado em minha introspecção por essas quase duas décadas. Aquela noite em si, absorveu questões de vivência muito próxima, com incidências, reações e intimidades inesperadas. O adormecimento foi pautado com atitudes de autoafirmação nítida quanto a seu matrimônio, sutil claramente perceptível. A sensação que a insônia provocou foi essa cena de interação, que simboliza dispor o lugar da filha para a amiga M, a qual sente-se na inadequação. Além dessa situação peculiar, há a reprimenda, e ações implícitas de demonstração de afeto que não se encaixam em afeto entre mãe e filha. O tocar representa o acolhimento, do chão para um lugar.  Simboliza todas as formas intromissão instintivas e espontâneas de F. A estranheza é que o sentimento começa vazar e ser percebido por ela mesma.

 

Plenitudo Candens, Passio, Favus Melis, Anthera de 2 Nectar Nectăris *

|13 Janeiro 2020.

São quatro textos que perfazem o conteúdo literário para o áudio Amor dois, foram sequenciados devido a tanta relevância.

Em Plenitudo candens a troca dos tipos de cavalos, significa sair do branco amor para vermelho amor. Significa proferir esse amor como paixão que se cavalga as nuvens. As fragrâncias significam os poemas de amor feminino. O abraço se torna submarino a dar uma profundidade assimilada. Os meteoritos, significam o peso da percepção de amplitude, intensidade.

Passio, traz as pontas expostas na luva, a dar a percepção tátil representando a paixão, ou a consciência dela. Traduzidas em fantasma com a capacidade de tocar até o ferimento. Contrapõe os tipos de sentimentos e a capacidade de fazer oclusão da forma de sentimento. A restinga dos passos de fogo é relativa à pintura ‘Gratitud al mar’, que demonstra as luzes da ânsia. A itaipava significa a cachoeira, elemento da poesia ‘Rosto de fogo áureo’, presente no Observatĭo, Adendum, representando o gesto de trazer para si o ser amado, em forma de retângulo áureo. O galope encerra o sentimento dessa loucura que o sentimento conduziu.

Favus mellis, denota grande sedução da amizade, acobertadas por lençóis dos interesses e características intelectuais que eram magneto recíproco. Como luz dourada adentra o recinto, um oceano de mel, como a abelha que leva a vida inteira sintetizando o mel, como essa elaboração literária que se mistura nessa afabilidade, como produto do amor. Favo significa a detenção do tempo. Absorção de todo ele como espaço dessa síntese. O navegar da piroga, significa fazer o barco de fogo, navegar nas chamas do sentimento. O opérculo da concha, é a busca de oportunidade, a luta pela amizade que fez afetar um meio delicado ferindo a pérola (sentimento manifesto de afeto dela).

Anthera, fala de epifitia, da coexistência das orquídeas e árvores, em uma nutrição da orquídea, personagens de ambas, como se estivessem presas entre si nessa sobrevivência. A flor representada no conjunto de inúmeras pétalas significa o amor e afeto da qual aguarda, alguma pétala que seja, a aceitação de qualquer manifestação que desintegre o silêncio-obstáculo, sendo essa cura, esse unguento que trate as dores feito dessas pétalas – o amor.

 

Novum ad amorem litteras Lynx      de 2 Nectar Nectăris (carta)

| 13 Janeiro 2020.

Nova carta de amor Lince, é o espectro através de um prisma, da carta vermelha que contém ‘Uma carta de amor’, dizeres de imagem poética de expressão para leitura consensual, que foi origem para a escrita literária da ‘Outra carta de amor’ que trazia destaques do referido áudio Amor dois. Neste capitular entendi ser necessário fazer essa projeção de cores, através desse prisma idílico, tornando verde o céu que talvez houvera sido vermelho e depois trazido na chama dos olhos do flamingo, que traz um ramo – a esperança. Então, as plumas do pavão abrem esse olho no céu verde, como um telescópio de aproximação. Situado no parque dos flamingos, são citados animais da fauna local, que compõe harmoniosa sinfonia da natureza, cujo manancial lacustre simboliza o philtrum como brilho desse espelho-prisma cujas existências junta. Como incorporando as águas como os braços abertos, acolhe o amor. Junção da emoção das lágrimas. Sua esfinge incorpora o lince em sua alma.  Não está explícito em que ser me incorporo, mas esse voo dimensional se insere no pássaro talvez, um inseto, quem sabe, quem viu? Então no pouso, simboliza junção de brilhos de olhos, como o amor íntegro e a entrega.

 

 

Intercolunium  de 1 Respectus

|13 Janeiro 2020.

Referencia a áudio para não esquecer, uma manifestação de amor, em 31 de dezembro de 2018. Esse espaço entre as colunas, as lacunas, são as fraturas de tudo que se quebrou, o amor e amizade que se fraturaram, o tempo e distância, que o amor é esse amálgama. Fala da libertação de sentimento soterrado, mas não o de M.

 

Obtutus de 1 Respectus

|17 Janeiro 2020.

O olhar penetrante tomou pensamentos durante mais tempo e dele a imagem própria se fez o mergulho parafuso em uma queda abrupta, esta sensação vertiginosa foi sendo compreendida lentamente, sob prisma diferente, na amplitude da análise de micro expressões do rosto e posturas consequentes. O texto retrata três perspectivas dessa batalha de lanças de brilhos significantes e visões. O ato marca um momento crucial impactante. Olhares perfurados impôs uma consequência simples, uma espécie de cegueira mútua de uma autossugestão.

 

Optical Spiralis de 1 Respectus

|17 Janeiro 2020. Baseado em áudio de post scaenam 20191101 fim capitular.

O espiral é a abstração da coluna vertebral desse livro.  Seria ‘Eu’ como partícula olhando para o sentimento. O ato de descer a voluta, é ser tragado e emergir, é a dinâmica desse amor. Não tinha a verdadeira percepção do todo. É a consciência e explosão, absorver o amor feminino juntando-o às formas de amor. O espiral ótico está ligado ao conspecto, em sua profundidade de cegueira e visão peculiares. É o próprio gêiser fazendo o ‘eu’ passageiro da força motriz do amor.

 

Labyrinthus de 1 Respectus

| 06 Dezembro de 2019.  | Baseado em áudio 20191101 Post scaenam Fim capitular minuto 4 adiante. Anotações do Caderno-de-sei-lá-o-quê de 31 Outubro 2019 página 119.

 

O texto labirinto foi um texto de concepção com muitas colunas de alicerce, entre simbologia e escritos que já fiz, elaborado em um teor mais visceral do método Novam Scripturam, aprofundado nos estímulos, numa imersão que fora arquitetada a usar elementos importantes de pesquisa do Labirinto, referências do capítulo Codex – do Livro 004, através de nova pesquisa e imersão. Rever parte do que foi compor Roma para o poemarium deste capítulo, ver a foto do dia dessa escrita, pesquisar novamente labirinto literário, que descartei para impor uma estrutura de osseus diferente. O intento era demonstrar o labirinto que o cerne do amor idílico por F fez em minha vida. Analisando onde esse labirinto se fazia perceber, identifiquei os diálogos internos de inúmeras perguntas sem resposta. Anotações efetuadas listaram as imersões: Filme, música ‘As the world falls down’ de David Bowie, o mito Minotauro e Dédalus, filosofia Wittgenstein, e pontos de ótica de observação Mara:

Metáfora – Frase – Obstáculo. O eco.

 

O texto a situa nas fronteiras do pensamento, o andar e a metáfora, são os mecanismos de todo mundo simbólico-poético de mim mesma que constituiu toda minha escrita que trilha evolução para estreitar o laço na procura pela amiga perdida. As paredes do labirinto recebem a frase e o eco reverberado traz um abreviar do mesmo, que provoca um pensamento avesso, mas no entanto salienta o silêncio dela e conceitua o próprio refletir do pensamento próprio sobre o cerne. O amor e a perda. Traz também resíduos dos insights sobre uma outra vida. O eco não pensado de cara, logo naturalmente vem como resultado do autoconhecimento e sempre faltando pedaço, contendo a asfixia dessa distância imposta.

Simbologia:

Paredes – o silêncio e a distância (sendo alguém). O chão – a água, aspecto do abrandamento e presença materna, alterna temperatura. O caminho – o eco, transcendência. Percepção – o tato, conceito percepção. Variação – tempo-temperatura. O Eu – a inexistência, contraposição onde eu estou na inexistência, amor impossível. A janela – fechada – a parede, transição. Só existe o caminho. Caminho – a experiência sensorial de perda e busca. O desafio – inteligência e superação na tortura da desorientação do labirinto. Paredes de silêncio e distância, feita de plantas vivas, arboescultura, como labirinto do Iluminado.

O centro – não é a libertação; passagem de nível espiritualidade espectral-existencial. Arboescultura no centro. O centro magnético instintivo, leva o eu ao seu eu, encontro do corpo com ‘o agora’, que é chave. O pensamento instantâneo nos passos do caminho ‘agora’. O ‘eu’ sobe e retorna a si ao descer, faz-se uma fusão do eu com o eu e o agora. O horizonte se mostra com a perspectiva fora do eu. A partir de então passa a ser instantâneo.

Entradas e saídas Dédalos – mutáveis fendas da libertação da prisão do silêncio (ela). Via mutável – Livre arbítrio. Escolhe sair.

Ponto externo setentrional – oposto ao início, transposição do labirinto, saída conceitual da transposição da palavra-frase para a ruptura do constructo do aprisionamento.

Frases interrogativas (Palavras-frase) – Ditas pelo eu existencial. Foram frases diretas, dúbias, insolúveis, mútuas, são os ecos do labirinto mental. Ato de ficar se questionando porque havia aprisionamento. Não são as mesmas perguntas e são capciosas e jogadas ao silêncio, que é ela, e o eco responde. Ela escuta. São vinte e uma, que representariam os anos passados nessa jornada de início de amizade, rompimento e banimento, contato virtual e bloqueio, que perfazem dezenove anos, mas dois anos a mais, como vislumbre de consequência, futuro. Essas frases podem representar o autoconhecimento, seu próprio bloqueio, e as questões provocadas e impactadas pelo silêncio e obstrução de relacionamento. Podem ser também o pensar dela. Nenhuma pergunta pode ser completamente estanque. Na verdade ecoa a ambas e denota que o labirinto é um local de andar só, mas acompanhado dela em outro momento e lugar da situação. Tudo isso jamais remete para uma conclusão mesma, pode ser a mesma escultura, entretanto a visão de ângulo de cada uma.

Vigésima é para se dizer e se escutar dizer o eu te amo, é a afirmação do coração. Para pensar sobre, como seria ou como ela sente isso.

A vigésima primeira, o que seria esse fazer, o que produziria, de que forma poderia se concretizar.

Arboescultura – volta do “Esculpidos em”, que é a arte de moldar a natureza, se traduz conceitual, como o ato de moldar o eu existencial, e tem inúmeros vieses sobre ‘o eu’ como eu mesma, como o eu dela mesma, como a dificuldade dessa evolução da forma, ou seja da própria psique ou das cicatrizes de uma situação afetiva. A escultura também representa a evolução, provocada, e também natural, porque é arbo e portanto cresce.  Como cerne da questão é o confronto também do amor, sua conceituação evolutiva, seu crescimento incontível, e sua formatação conforme a poda.

A saída – como Dédalus há diversos pontos e não uma saída única. O que expande a significação do amor raiz entre elas, a constituição desse elo além tempo.

O espelho – representado na água, representa inúmeras analogias de espelhamento, para esse olhar na dimensão do espaço onde estou, para o outro lado, que é o espaço onde ela está, por onde perpassam percepções metafísicas entre elas. Há inclusive um poema, denominado “Espelho de fogo – L014”, que nele, há como que o encontro dos lábios através dessa cortina dimensional, cuja força de sentimento transpõe através do pensamento mútuo, traz a visão transcendente e que existe no texto “Mãos que atravessam espelhos de distâncias – L010” já como o toque, que deu essa percepção da imaterialidade e derivou um novo tema.

Há poucos dias eu refletia sobre todas as portas terem se fechado para mim; é como estar dentro do labirinto existente, labirinto físico, concreto e real. O transitar entre dois mundos e meus familiares estão alheios. O caminho (o labirinto) passa ser minha existência, quando não há portas só existe ele. Quando não tive mais oportunidades, eu segui. Sendo algo de extrema dor. Enfim o processo do livro Affectio faz uma densa água de caminhar, me imerge nessa vivência que transita entre esses mundos.

A imagem poética foi o andar esse labirinto de jardim, como meu viver em pensamento e intelecto. O labirinto também expressa nessa existência viva da imagem poética contendo diversos elementos da minha escrita, do herbário – uma antologia de imagens dessas poesias, na constituição do labirinto, denotando que esse cerne se impregna fisicamente na estrutura. As palavras também são silentes, labirinto simboliza as palavras caladas que podem nem terem sido lidas ou ouvidas por alguém (ela) ou acolhidas, tido receptividade. O Jardim absorve o abstrato do Viridarium[1]. Alfim, coloca sobre o além do amor. Sentimentos de amor idílico visceral.

 

Epistula Scriptam in sanguinem de 1 Respectus

|17 Janeiro 2020. Baseado em áudio post scaenam 20191101 Fim capitular.

Essa profundidade que gostaria de adicionar à amplitude de interpretação(ões) do leitor.

Carta poema que materializa, o que dantes fora a concepção de ato de última escrita, algo muito sério, trazendo para uma escrita presencial e quebrando o tabu de seu antigo propósito.  Escrita, dia após a uma crise depressiva, em meio a escrita tão densa e profunda dos últimos dois capítulos do livro, foi embasada pela Carta Vermelha, carta secreta que contém ‘uma carta de amor’, derivando ‘outra carta de amor’, ‘Novum ad amorem litteras lynx’. Imersa em empirismo, houve leitura, música, escrita de osseus e a escrita em sangue no caderno ‘Vacuum’. O ato de ferimento, produzindo dor no ato da escrita, a concepção visceralmente sanguínea, demandou muita tensão e autocontrole, dimensionada minimamente o necessário a produzir sensação e percepção. O elemento real, foi o sangue, e a borboleta que apareceu no instante desse ferimento, me circundou. Borboleta mariposa laranja, que se assemelha à folha de outono.

A poesia cercou-se de tentáculos com as poesias, da existência do sofrimento de viver o amor, toda esse arsenal da sensibilidade poética.

O acre, significa ardente. Lineamentum, liga-se profundamente à demonstração de amor. Amor como amor e amor como o chamamento. A importância do rosto e sangue, é a doação. O figo, elemento elo na obra ‘O gosto do vento’ representa as sensações metafísicas ligadas à sensualidade. A pedra Ostium, é a passagem de abertura, a fresta, com duplo sentido, ligados à sensualidade. O vinho, este amor – a existência na maceração, maturidade.

Acolher das mãos, o gesto permissivo, é o que eu diria, esse dizer misterioso, simbolizado no cicio, uma mensagem especial de consagração, baseado em ‘Uma carta de amor’.

A calmaria, navegação representam o abraço na receptividade do amor, é transpor a Carta Vermelha, pressupondo aceitação, casca de noz, como cuias das mãos sobre as mãos. Respingar no lirial, é tornar escarlate, transformar-se em Renanthera, nas orquídeas que personificam o Itinĕris.  Pranto erva doce, alento, emoção suave promovida pelos poemas escritos. Taça de vinho, é a receptividade, amor dela doado a mim. Boca razão significa trazer ao racional na assimilação do sentimento como um todo, referenciando a ‘Carta nascente’, representando a consciência do amor, enquanto que o faisão representa a paixão, e o atucanar, o bico de fogo – a união de sexualidade, sensualidade feminina. O teor leva para o desejo constituído, não tão como impossível. Os átomos rubros, são as ‘hemácias’ relativas às poesias que já foram escritas. Gosto, rosto e corpo é o circundar, os trezentos e sessenta graus da relação. O chamado e o sangue, respectivamente a aproximação e o acontecer. A dor e o pulsar do amor. Sem dúvida, o brilho da lâmina requereu o domar desse dragão oculto diante de minhas fraquezas, num duelo entre o tamanho do coração e o todo o sofrimento que ele tem.

 

Argentum Litus, Aureum corpus fluidum –  de Nullusdum – Lumina Auream

 

O primeiro texto desses dois últimos episódios de Lumina Auream, ainda tem um teor preso ao desenho da restinga, pois o efeito luminoso traz coloração prateada em branca junto aos efeitos amarelados que dão o facho rastro do Sol.

Traduz a sensação da caminhada pelo primeiro lumiar da manhã, impressão colhida em meus áudios de viagem, Mar, transpondo esse caminhar para o encontro do vulto. Esse reencontro muito tempo depois, traduz o levar pelas mãos, gesto de aceitação ao menos amistoso, e personifica o ‘Eu’ na solidão. A solidão passa ser o elemento elo de ligação entre ambas personagens. Elas se ligam nesse sofrer de uma solidão especial em suas intelectualidades. Ao mesmo tempo significa encontro de amor. O felino traduz a ferocidade das posturas mais áridas ao mesmo passo que graciosas. Rio de prata é o novo caminho para esse encontro das suas completudes amorosas e intelectuais. Simboliza o local todo o sentido herbário de diversos poemas e livros.

O rio se torna dourado. Como mudar a noite para o dia. Como acendimento da chama. O encontro se marca por suas especificidades e união de harmonias.

O segundo texto é o que ocorreria desse reencontro. Vestir o dourado, seria submergir à arte como guarda de suas almas e corpos, como uma espécie de benção ou brinde à essa ‘reunião’ em amor. A casa simboliza o aconchego, um ato recluso e asséptico dos preconceitos sociais. Veste-se uma iluminação especial da flâmula perfumada do cerume, onde existe uma espécie de espaço sideral privado, o céu de uma noite em pleno dia, acesa em lampiões que lembram os balões coloridos que constam de um poema. As fitas negras trazem o brilho para o teor da sedução com uma cachoeira de pó dourado, simbolizando as cachoeiras em um derramar infinito do amor, sua força, sua pureza, sua luz, em mão dada com a simbologia da proporção áurea. Como tornar vivo o quadro do Rosto áureo, em corpos cuja nudez de amor, traduz basicamente suas próprias liberdades de sentir na forma que quiserem. A deposição do dourado torna isso às claras, luz do dia, ou seja uma posição unida nas expressões existidas de amor de cada uma. Os elos passam a ser adornos sensuais e não uma amarra, fitas negras. A carta para o rosto da Picturata dourado em Nácar, sedimentando todo significado.

 

Observatio de Adendum de Itinĕris

|07 Dezembro 2019.

Observatio, uma importante sequência de textos, é parte do itinĕris. Pensado como um adendo por ser uma realidade alternativa – Pecteilis vive. Anotações referenciam a experiência de encontro de Renanthera na montanha Atlas uma ligação metafísica. Pecteilis reaparece na ilha em observação. Esse fato detalhando a estada que o painel final menciona, a visão do promontório da ilha Isabela em Galápagos, torna-se lembrança em tempo mais adiante, coisa de mais dois anos. Ou seja, de 2020 passa-se um ano até o cair da areia da ampulheta – 2021, termina o itinerário em 2022 e a chapada se dá em 2023, o que perfaz três anos após Kathmandu.

Para este episódio que contém um outro desfecho, além de um terceiro misterioso. O fim de Occursatĭo coloca o desencontro como consequência do último abandono e suposta morte com encontro espiritual.

Abordar Observatĭo, a observação profunda, é dissecar algo que ocorreu mutuamente entre M e F, de certa forma a visão colocada nas observações, inicia em parágrafos que alternam as personagens de forma não clara, marmorizando o ato. O ato sob qualquer forma de observação, seja um olhar microscópico na perspicácia, seja dados cadastrais e informantes de comum relacionamento, da observação de proximidade causada ou meramente ocasional. Quando durante o itinerário Renanthera sofre a emersão de teores amorosos mais intensos como consequente consciência do amor de Pecteilis. Isso simboliza a absorção da poesia amorosa. No Observatĭo, Renanthera mostra consciência amorosa na tristeza da perda, ao ir à ilha é consolidar o elo afetivo no tardio das consequências do tanto tempo de seu afastamento provocado e silêncio. A perda a faz assumir então a busca. A busca parece ser o único sentido, entre as memórias de cenas de amor que são analiticamente colocadas nas imagens poéticas de alusão às fitas (da cena de lumina auream) e no amor dos lírios-do-pântano.

O Observatĭo significa uma simbologia de outra vivência. Essa outra vivência ainda traz permeada resquícios de devaneios, ânsias, mas há nele o lado de ânsias do ponto de vista de Renanthera. Uma dessas ânsias se daria pelo desaparecimento da escrita da amiga, o quase encerramento da ‘imprensa de palavras’ que causa essa abstinência da escrita que vinha consumindo.

A observação insular, representa Pecteilis assumir o olhar à distância e dar o silêncio tal qual sofreu anos, mas não como punição, mas pelo abandono em si a espanta, fazendo-a trilhar sua busca em metamorfose. Nessa estada na ilha, ela está sempre à certa distância da não percepção, passo atrás, notando a crescente sensibilização que traz essa evolução para Renanthera.

Foram feitos estudos focados em metafísica, bioma das ilhas e do cerrado brasileiro. Como o cerrado tem abrangência de regiões, dá representatividade de raízes, raízes que tem simbolismo do amor à natureza de ambas personagens. Inúmeras imersões foram feitas para a localidade da Chapada dos Veadeiros, outras regiões de chapadas, fotografias, e levantamento de espécies, costumes e gastronomia.

O processo do livro veio influindo, dado que foram escritos capitulares, parte do Lumina auream, os densos capítulos do terceiro ao primeiro, textos como Ad femina et veritatis, Carentis, Noctivagus, do Nectar Nectaris – Labium, Gratias memoriam, Mons (andar na montanha, cuja analogia é o corpo dormente da minha amiga, entre sentimentos contraditórios, numa visão mais de consciência de sua perda), Amor plumule que me liga à escrita da nova carta de amor   que é Novum ad amorem litteras lynx. O labirinto, a carta escrita em sangue e Obtutus. Estava escrevendo uma confluência muito muito densa de sentimentos durante a composição do Observatio, que absorveu dessas experiências e suas concepções, enquanto estavam sendo concebidas e iniciadas as pinturas.

As anotações do caderno de Sei-lá-o-quê mostram claramente. No mapa mental foram desenhados balões das palavras: Falta de liberdade, admiração, cuidar, significações, aprendizado, intromissão, perseguição, saber, desejo, aproximação, compartilhar.

E ideias soltas para composição da Transição das espécies:

Esquecimento como ideia solta, catarata, Reserva natural, chapada Veadeiros, Identidade, Reencontro, Desmaterialização, Metafísica, Metamorfose, Vida. Fim como centro de Caminhada, Outra vida, Transição, Essência, Cachoeira, Rirmos juntas, Ponto de ligação. O que faz ir à reserva.

O Mapa mental construiu as sequências:

Observationis reciprocae , onde ambas tiveram motivações e buscas de informação, que neste caso Pecteilis rastreia o quanto ela a observava, representando a leitura ‘imprensa de palavras’ e outras pesquisas. Elas carregam entre si buscas que foram de ambas, mas que não necessariamente houve esse meio. A mensagem gravada no computador como resquício de prova contundente de que houve a observação denota invertida situação da leitura dos escritos e visualização dos sites de M.

|17Janeiro 2020

Investigatio observationis, preliminar à descrição insular, mostra em tempo posterior Renanthera demandar pesquisa sobre paradeiro da amiga, não convicta de sua morte, e tem impacto relevante pelo contato misterioso Occursatĭo. É um chamamento final.

Contemplationes Insulis – no dimissa, parte insular, situada na chapada, traz memória sobre a visão da visitação ao promontório que simbolizou o mural final do itinerário. Pecteilis observa ao longe, no encalço da visitante, Renanthera. Não se determina a concretude existencial de Pecteilis. Foi pesquisado sobre o arquipélago Galápagos que focou a comunicação na caixa de correios, simbolismo da troca de conteúdo afetivo e vida através das correspondências repletas da natureza poética, idílica portanto. Encontro à meia distância, simboliza um tipo de relação imaterial, ocorrida nos porões virtuais da tecnologia. O ambiente concebido para destino do Diário de Navegação, remonta um destino final sem propriamente a solidão. Mantilha verde representa a esperança. O penúltimo selo encerra este lugar. Transita a memória para o local da Chapada.

Observationis Persecutionum, como ironia Renanthera fica presa a sua ânsia de busca da amiga desaparecida, num crescente passo de transição de vida. Assume atitudes antes comedidas em sua característica reprimida em um prelúdio de sua decisão de procura.

Transitus, Pecteilis inicia sua metamorfose. Ela adentra o bioma, ela se entrega ao sorvedouro, significa sua entrega ao vórtice negativo do sentimento, que desintegra sua parte temporal, mas ela ainda existe em sua andança solidão. Sua integração ao seu meio prossegue como parte de sua transição. Chegam ex-marido e filho para um encontro. A mistura dos dois mundos e dos dois horizontes de amor. Ela vive a vida que se lhe aproxima. No final o trânsito astral se dá em libertação quando os campos amanhecem repletos da sua espécie percebida pela amizade antiga ao beija-flor.

Cognita, Um ponto branco magnetiza a crescente insatisfação e delírio de Renanthera, imerge na chuva até o pântano que abisma ver os lírios no gesto que remonta o momento de amor de ambas no Egito, sente a dor compreendida então de Pecteilis. A expressão ‘agora amei’ quer dizer também ‘sei’. Em transe sua ânsia obcecada a faz abandonar o estado de dormência para busca de fato material.

Persentĭo, Nesse caminho à chapada, não há uma sincronia exata com a transformação de Pecteilis, à priori, no caminho se alimentar de confeitos da amiga, cria simulacro de situações incompletas entre elas. Vivências nunca vividas que saber através das observações a instigava querer. Os curativos preparados, trazem verdades e mentiras, rótulos, promessas impossíveis de cura, que denotam quanto se compra o enganar a si mesmo conscientemente. Conhece Paepalanthus no caminho que as leva à roda d’água que gira e inverte a vida, o tempo e as faz naturalmente dividir o caminho de entrega e percepção profundas.

Observationis exstinctionis et instinctus, a caminhada entre as sendas da chapada, uma condução labiríntica entre vegetação e seres, as duas personagens se interagem, Renanthera com uma espécie de silêncio e monólogo da outra. No final ela representa como luzes de ano novo, como fogos de artifício os brilhos da régua do tempo enquanto que Renanthera se extingue após experimentar efeitos metafísicos, como clarividência e perceber a presença da amiga, Pecteilis. Ela parte após essas luzes do chuveirinho se reunirem nas cores escarlates. O aprendizado encontra o instinto.

Perstrictae, representação da transposição da vida em outra vida, como a extinção de uma ou outra espécie. Cumpre-se a extinção das espécies. Persiste Paepalanthus que então conhece Calliandra, como um reencontro reconfigurado no mistério da Picturata então revelada.

 

 

 

[1] Viridarium – texto capitular do livro 4, que contém uma jornada em jardins simbólicos.

©Mara Romaro

| Demorou mais do que pretendia para documentar, e demandou muito revisitar registros para estes comentários. Não ficou como eu queria, mas foi o que consegui diante da minha realidade. Obrigada mais uma vez a quem seguiu. Revisão dezesseis, perfaz quase tudo. Falta revisar os adenduns adicionais não divulgados e releitura geral com inclusão das ilustrações.