Leia-me

Leia-me

 

 

Teia-me a aranha

Contém-me em suas mordaças

Folheiam-me bolores

Devoram-me traças

 

Leia-me cada letra

Perca-se nas folhas decapitadas

Palavre-se além de cinco

Cílios que se fossilizam em páginas

 

Leia-me Tateia-me

 

Letras em cardumes

Pensamentos em negrumes

Incompreenda-me mal

Saboreie deste sal

Frases varridas do quintal

Salivas gotejadas deste animal

 

Pagine-se no fulgor de imagens

Formule-se mensagens

Dobre-as em aviões de papel

Lance-as nos seus céus

 

Incendeia-me de livros velhos esquecidos

Longos romances interrompidos

Beijos estáticos nas folhas amareladas

Cheira-me papel

Vire pátina

Esqueça-me

Palavras borboleteiam

Desvencilham-se teias

Vagam ideias em veias

Nos olhos que folheiam

 

Leia-me por inteiro

em pedacinhos picados de papel

Leia-me nas folhas amassadas

Leia-me no lixo, no nicho

tocando com seu ouvido

Leia-me em cinzas que espalhe do alto

_                                       da torre Eiffel

 

Leia-me decompondo palavras

em letras por sua saliva

Destila-me venenos em suas salinas

Rasgue-me em páginas passadas

Que o esquecimento vesti-la-á de lembranças

Que as palavras brotarão da cabeça em tranças

 

Mara Romaro

23/02/2017 12:05H

 

O arquivo leia-me, costumava vir em diversos softwares, contendo instruções de instalação e uso.

 

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Síndrome Estranha

Síndrome Estranha

a espelhar no tormento

um melhor ambíguo.

Síndrome estranha

em castanho no limbo

Oh! Ensebados pães

encurralados em becos de café.

Síndrome Estranha

quando tanto era encanto

esperava avos de ovos.

Síndrome Estranha

De nada. Às ordens.

Portanto’s amigos virtuosais

tão virtuosos quanto virtuais.

Os vitrais que se

Este laçam sua vê mente.

São sacrófagos

todos os aflitos que se embebedam do vinho santo,

daqueles que não atam nas verdades.

Síndrome estranha dos ferrolhos e

cria dos arte e factos repri dos medos.

Ah! Alheio direito através das pantalonas e suas etéreas palavras ocas.

Síndrome estranha

A olhar as Marias que desapercebidas

são todas fictícias  nas floradas de outono.

Mas o rei arde a luz incandesce sem condescendência

Sobre as farsas e hipocrisias dos mesmos hipocondríacos sanos.

 

Estranha síndrome

do som cítrico do escárnio.

Oh! Livrai-nos das covardias e absurdos.

Entendei-nos

Ó coisa

Propriedade privativa alheia.

Amem.

 

Mara Romaro

Verso da Folha Síndrome Estranha

[2009-jan-7 21:15]

O estudo dos enigmas, charadas e estegnografias que penso para o meu “Lugar dos mistérios”, me fez pensar nas tantas vezes que nos pegamos dizendo e sendo mal-entendidos, até por situações ambíguas, ou fatalmente infelizes; outras propositalmente dúbias para causar diversas interpretações ou com a confusão da cacofonia induzir os sentidos a absorver uma mensagem subliminar. Neste texto, a sonoridade causa a sensação diversas vezes de dizer outra coisa. Um brincadeira apenas, para o que estou preparando no futuro livro. Através da sonoridade há outro texto implícito.é uma crítica sarcástica à forma de relacionamento de hoje em dia, das fugas pessoais, da ocultação do eumesmismo.Ah, sim. Quis realmente parecer torpe e difusa, quis realmente zombar da condição desumana e mangar dos que pensam decifrar facilmente os outros. Com análises prontas e receitas de bolos para a dor ou o sentimento, normalmente ridicularizado.

Quem são os piegas? Quem são os supérfluos? Quem não tem medo de encarar seus defeitos nas semelhanças com o próximo? Quem não tem vontade de molhar o pão no café? Por que não faz?

Quem não é estranho no ninho? Quem não se agarra na fé para suportar a humilhação?

Amor é para fracos e comprimidos de tarja preta. Terapia não é caminho de compreensão, mas apenas um certificado de sanidade que vale ingresso no mercado de trabalho. É isso mesmo?

Cuidado com os jargões, porque a repetição é uma fácil forma de doutrinação e lavagem cerebral.Cuidado com o que uma propaganda supostamente inocente pode fazer a sua mente, principalmente quando você não consegue mais controlar seus passos e sua direção.Esse mundo de hoje é doente.

 

Sinho-ne Eatramha

Sinho-ne Eatramha

a esqezar nmo menento

vm meihor annigqo.

Símcçope eatramha

en eatramho nmo nimho .

Qh! Inpsemsatos coxqracõies,

enfvrnadyos en vma capsa de soahjpê.

Sixnho-nme Eatramha

tonto puamnto era u esqpmto

exqerimamntgva fiuozs dze ouos.

Sinho-ne inzsoana.

 

Sixxen nada. Dexsofrdeam.

Enpuanmto os aniqos esqeclais

não tãu afefvoksos o qvamnlo necaeszsituais.

Os cripsxtuals que se

estllhoçam suauernente.

Suão sazrçóufpgos

todsxos os comnflltas qve se eszxqveçefam do dia samnto,

àqveles qve nãço anam de uerpade.

Sinto-ne eatramha com deaferldos oihos e

crlapdos os artafatuos da reqrinemdia.

Ah! Oihe diraxito atrlaués dsas jamnehonas e svas etpermnas viplraças barroqas.

Ínpole eatramha,

a oihar as auarios qve desoaqercebipdas

sãu topas inkícios  das boryraxscsas de opvtomo.

Mas oreil onpe a lux tramzxparevce emn imcdidêmcia,

sobrxe as foizlsas e idiossxincrpsias dornenles dos hunamos qve sonos.

 

Insomna imprvdidade

do son cítrxixco dv eskxcormnio.

Oh! Gvarpai-nos dazs afxasias e dos svrttos.

Emtenpei-nos

Como suois

a digpnipdaxde  piópria  aiheia

Anémn.

 

Mara Romaro

Verso da Folha Sinto-me Estranha

[2009-fev-03 23:58]

Existem almas gêmeas, como este texto é da Síndrome Estranha.

São homófonos e um enigma pelo som, o outro pela visão.

A comunicação pode ser torpe, propositalmente com intuitos inescrupulosos, ou apenas atabalhoados.

A quilo que se vê, nem sempre é, o que é nem sempre aparece. Não é questão das entrelinhas, mas entreletras cujo som ou grafia pode nos induzir ao engano. A mente é uma coisa incrível. Nem precisamos as vezes completar uma frase ou palavra. Mas essa rapidez justamente causa os sentidos oblíquos.