Diário Officio Scribere – Braseiro esquecido na madrugada

 

| 06 Abril 2019 3:17 |e.d.n.c Embers Max Richter

 

Deslizar dos passos que acobertam raízes de encanto, ensombradas em fumaças azeviches, em uma janela com restos de luz âmbar. Os minutos deslizaram-se como brincadeiras escorregadias de infância, entre um abrir de olhos fustigado de dores, em um cansaço espraiado em visão alumínio, de espelho d’água de passos[1]. Uma valsa de violinos suave assoprava o ar parado em um feitiço da noite preparando em tacho a neblina menina amparada em meus braços, esse meu ser com olhos em pedraria de ilusões, nas lembranças empoeiradas sentada diante de uma mesa de madeira de lei, com uma tinteiro e folhas de fichário, com a presteza de encaixar os furos da folha em um par reluzente de presilha feito algemas de um conjunto solto de escritos[2].

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Diário dos dias nebulosos – Precipitações

| 01 Março 2019 12: 20 –  14H ininterruptamente, correções 14:30| Estímulos: observação chuva em momentos longos, chá, cotidiano, música e áudio 20190222 shabbat* | 22 graus célsius, chuvas intensas em dia chuvoso continuado de ontem, tempestades alternadas com chuva branda e pequenas interrupções. | Mezanino. E.D.N.C.| Músicas: My Silent Mystery – Tigerforest, Loud – Tim Hicks, Vulcano – Francesca Michielin,Tonbko – Nyusha, Nazreh Mili –kaya project ,The love dance- Mystic Diversions

 

 

Fez um silêncio do rugido das precipitações. Um hiato onde as plantas espreguiçaram. Pétalas derrubaram de si as gotas excessivas e as corredeiras minguaram deixando ainda um rastro de partes de plantas e resíduos vestidos de grânulos arenosos de terra ferida.

Ainda no crepúsculo da noite emudecida sem luar, um céu esquecido, a escuridão em uma espécie de espelhamento da voz apagada do ser que se diluiu e desapareceu, refletia luminosidade lúgubre do luzeiro sem ilusões, distraído em seu próprio aquário estava Read More

Diário dos dias nebulosos – Condensação noturna

| 26 de fevereiro de 2019 | 12:58|Músicas: Path 17, Dream 0, The end of all our exploring, On the nature of Daylight – Max Richter |Ida a Joinville, dia após a lua cheia

 

 

Deslizavam o chão, as árvores, as luzes, como rastros intocáveis permaneciam em um átimo, entre uma fala que se abafava longínqua, em pequenos ecos desapercebidos por detrás da cortina de tristeza. Minúsculas gotículas alteravam o vidro em sua transmissão.

A lua então se calara. Rosto que me sorriu decrescia os tempos, retroagindo os momentos recolhidos nos rastros de pneu que porventura meus olhos percebessem que se formassem.

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Diário dos dias nebulosos – Dissipação

|18 Fevereiro 2019 23H  23:50| Serendipity – Gary B | Ritual – Matt Lange remix – Delerium

 

Sentada diante do vidro leitoso, sem reflexos ou resquícios de meu semblante, da ruga e meu propósito atenuado.

Horas brandas inexatas, em tilintar ou gotejar persistente da réstia da chuva pendente, um frio que em abafar precede o girar dos meridianos.

Estonteante dor me circula enquanto me giro procurando a visão clara sonâmbula inversa. Eu ainda estava antes da neblina densa em fog, um grito estridente emitido das Read More

Diário da escrita em 26 de novembro de 2018

Volto ao meu habitáculo [1]dançando entre as fumaças emergentes das tintas, céu possível em quadro sobre minha cabeça, entre os dedos fumando um sabor.

Este tempo que agora celebro com os dias que precedem uma receita doce em transmutação[2], tal momento em um filme polarizado em raios ultravioletas.

Tempo que ontem em início, eu adornava um acamar dilacerante de dor, de dor, de ululante cabo de aço arrebentado, urrei meus horrores, minha vida arrancada, as mãos diluentes em adormecimento anestésico.

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Diário da escritora em 21 de Novembro de 2018 – Livro de página aberta

É meu hoje de viver agora, cheguei aqui nessa jornada intrincada, ouço minha voz e o sabor na minha língua. Ouço a música 42 de Mumford aqui em meu mezanino.

Nasci agorinha e já descobri o vento, e vocês meus caros amigos leitores, um e outro, nos
alfabetos criptografados do coração, minha vida veio aqui se dizer, mas eu voo, o voo da asa aberta, olho vidrado, estou contando por vocês e há, eu agora sei, há alguém em algum lugar que lerá;

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A página G

A página G

14 de Setembro de 2018. São 17 e 40. (Essa é uma mensagem para Giovanna)

Gi minha filha;

Você é uma página incrível da minha vida, mas não é uma página que começa e termina. É uma página que se escreve, que por si só diz um monte de outras coisas e é interessante, porque começou dia 31 de dezembro de 1987 e eu tenho essa certeza. E daquele momento em diante, eu tive uma coisa a mais, mas não era uma coisa. Também não era algo.

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Diário de Navegação – Travessia das cordilheiras de chumbo [5]

Enquanto as folhas do caderno adernavam virando páginas feito leque, sem parar, não rapidamente, mas pausadamente, com alguns momentos de um sopro divino vigoroso, tentando dizer em qual momento sua sorte cairia; eu me apoderei de pena de ponta de estanho, ranhurada e chanfrada a dar serifas na fonte de letra caligráfica, para o livro de capa dura, com acabamento de couro nas abas em tom de severidade, escuro e envernizado – o diário de bordo – para transcrever anotações que jamais em vida, me proporia a grafar, para olhos nenhum passarem correndo em leitura silábica. Era uma pena presa em suporte em madeira alongada e torneada, mais bojuda à frente e estreita na ponta traseira, cuja pintura adornada eram misturas de cores de tintas, manchadas à deriva e o tinteiro vidro, era um Waterman Encre Bleu-noir, apropriadamente um tom de azul marinho, em anoitecer. As palavras doces do poema, foram cerradas naquele caderno, amarrado, cujo cordão de couro requeria um nó marinheiro. Mas, anotações que fizera, de verdade ficaram em rascunho, quando ontem, olhava para o cabeçalho e escrevia a data, enquanto acalmava a mente vasculhando o mapa da costa sul argentina, dando vistas para a entrada do estreito, e os solavancos das águas começaram a se fazer ouvir, e fiquei horas, olhando folhas em branco, sem capacidade de cifrar qualquer caráter do alfabeto.

Dia 09 de Abril de 2018.

Transcrevo – Oceano que nublava e anoitecia a cada milha, um enrugar próprio, algoz e Read More

Diário de Navegação – Tempestade perfeita [3]

Dia 2 de abril de 2018. 11:09 H.  Latitude 24° em direção sul.

A ilha não se avistava, apenas sabia pois não identificava mais grunhidos de aves, eu estava mareada, deixei-me entre o chão, os braços no assento em forro impermeável azul branco de um banco, era continuismo, de uma jornada que gerou enormes sacrifícios e cicatrizes, dos setecentos dias entre 2001 e 2003, estava prestes a adormecer no assoalho, com ligeiras poças que venceram as pequenas barreiras da embarcação, em pouco tempo eu dividia o gelatinoso dos olhos com esses pequenos tecidos da água de sal, e me misturava, tentando botar em brilhos pequenos, o início de uma purga, algo que eu vomitasse diferentemente, que as palavras não me salvaram. Escritos me retorciam, a caligrafia arrastada, por vezes recalcada de letras que saíram às avessas, ou reescritas palavras que adivinhava no ilegível rabiscado, e tudo aquilo parecia sombra na minha pele, trechos que sabia, e toda aquela significação ignorada me embriagou em Read More