Diário da escrita em 26 de novembro de 2018

Volto ao meu habitáculo [1]dançando entre as fumaças emergentes das tintas, céu possível em quadro sobre minha cabeça, entre os dedos fumando um sabor.

Este tempo que agora celebro com os dias que precedem uma receita doce em transmutação[2], tal momento em um filme polarizado em raios ultravioletas.

Tempo que ontem em início, eu adornava um acamar dilacerante de dor, de dor, de ululante cabo de aço arrebentado, urrei meus horrores, minha vida arrancada, as mãos diluentes em adormecimento anestésico.

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Minha linguagem

|18 de maio 2018 12:11 até 12:55 Música: Sundreams – Jens Buchert

Sai da língua, mas vem de um som surdo rítmico, de fumaças do espírito, das cores que permeiam meu dia. Eu gosto do sentido obscuro, de ocultar coisas, esconder parte do mapa do tesouro, de omitir pronomes para que confundam-se a primeira e terceira pessoa, detesto artigos, porque só tem masculino ou feminino, falta algo então generalizo, e perverto gramáticas, para expandir os complementos verbais.

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Anotações mentais – 13 Abril 2018

Anotações mentais – 13 Abril 2018

(Pq das águas em 13 Abril 2018 pintando desenho do violino)

Enquanto esta semana, envolta em momentos longos no meu habitáculo, as leituras desfocadas, mão estava sem a fineza que eu desejava, em 9 de abril, eu estive neste mesmo lago, árvores ancestrais que me deram sombra nas minhas andanças de criança, agora local calmo, onde o cair da sombra, pequenos sininhos e revigorar de outono, escadas de folhas secas, eu pé ante pé, os movimentos contidos em dor esquecida em mim, que se amplifica o quanto estendo a vista.

A noite me truncou a respiração e copos de água, momentos ligeiros vagando os cômodos apagados, a gata virada de barriga dormindo profundidades e um tic-tac inexistente.

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Diário de Navegação – Travessia das cordilheiras de chumbo [5]

Enquanto as folhas do caderno adernavam virando páginas feito leque, sem parar, não rapidamente, mas pausadamente, com alguns momentos de um sopro divino vigoroso, tentando dizer em qual momento sua sorte cairia; eu me apoderei de pena de ponta de estanho, ranhurada e chanfrada a dar serifas na fonte de letra caligráfica, para o livro de capa dura, com acabamento de couro nas abas em tom de severidade, escuro e envernizado – o diário de bordo – para transcrever anotações que jamais em vida, me proporia a grafar, para olhos nenhum passarem correndo em leitura silábica. Era uma pena presa em suporte em madeira alongada e torneada, mais bojuda à frente e estreita na ponta traseira, cuja pintura adornada eram misturas de cores de tintas, manchadas à deriva e o tinteiro vidro, era um Waterman Encre Bleu-noir, apropriadamente um tom de azul marinho, em anoitecer. As palavras doces do poema, foram cerradas naquele caderno, amarrado, cujo cordão de couro requeria um nó marinheiro. Mas, anotações que fizera, de verdade ficaram em rascunho, quando ontem, olhava para o cabeçalho e escrevia a data, enquanto acalmava a mente vasculhando o mapa da costa sul argentina, dando vistas para a entrada do estreito, e os solavancos das águas começaram a se fazer ouvir, e fiquei horas, olhando folhas em branco, sem capacidade de cifrar qualquer caráter do alfabeto.

Dia 09 de Abril de 2018.

Transcrevo – Oceano que nublava e anoitecia a cada milha, um enrugar próprio, algoz e Read More

Por hoje

Por hoje

Dia 14 de Março de 2018

Abri os olhos com imediata memória, das dúvidas que me adormeceram, da insegurança imensa que senti naquele momento de vácuo, após longo tempo escutando todas aquelas minhas palavras, eu esperava uma reação, esperava a dor que se antecipou de surpresa. Dormi minha alma exausta pensando no poema morte, mas não consegui me mover só para acender a luz fraca, buscar na minha bolsa a caderneta para anotar. Fiquei dizendo em meus lábios calados as mínimas pedras de andar sobre o lago, para lembrar.

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Diário do Universo Paralelo – Regressão [7]

Diário do Universo Paralelo – Regressão
Dia 31 de janeiro de 2018. 16:16 a 23:47 H. [Desenhos por Mara, caderno sketchbook, grafite kooh-I-Noor, lapiseira 0,5 e gravurizado à nanquim chinês em poucos traços.- recordações colhidas nas sessões.]

Sabidamente lido com meu inconformismo, lido teimosamente, talvez até estupidamente. A questão é que uma substância corrosiva, impertinente me alcança, talvez um ser que se alimenta das vísceras, talvez uma substância radioativa, fato que encontro um marco na vida, o qual já refleti quantas esquinas poderia ter dobrado para não chegar a ele.

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Diário do Universo Paralelo – Dimensão da Incumbência [6]

Dia 27 de janeiro de 2018. 10:30. Retiro das fontes. Sábado.  Waves – Max Richter

Este é um momento real, um vento que se afasta do solstício, há um farfalhar mais eloquente, as formigas voam e caem sobre mim. Isto é realidade, a sensação profunda das minhas limitações, meus cabelos desobedecem, meu sentimento acerca do sentimento. Isto não é pele ferida, mas uma sensação de múltiplas coisas, necessidades, ambições, ardência e convulsão.

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