Uma frase a cada dia

Uma frase a cada dia

[Uns trinta dias de novas atitudes, fazer diferente, colher amuletos, sensações, percepções, poesia, ideias, atitudes renovadas, em uma frase, propósito de Desvício de pensamento, reerguer-se, evoluir. Descobrir coisas novas a fazer – sem dinheiro algum. Não use pretérito. Abstrações e Experiências. Coisas para ajudar-se e libertar-se dos pensamentos repetitivos. Melhorar o pensamento (equacionar como time sharing).] Em Jun a jul 2017.

 

[28] Mãos arrumaram os gravetos do ninho no canto alto da árvore, antes da chuva que se desenha.

Read More

Nada Nada

Sem nada eu tentei todo

Folha de rosto

Sem pauta Sem margem

Nada me disse o todo

Capa de livro sem face

Se o dorso acarinhasse

Gestos desviados de mim

Pouco fez sentido jasmim

Desenhos da água do lago

Emanar vago em cálido

Algo que flutuava largo

Ao longe pensei nas folhas arrastadas

Todo tempo o tudo ou nada

Escuto o mudo

Não vejo sombra

Tudo no ombro do Nada

Subo e desço do rumo

Encontro seu sumo

Sob escombros das unhas

Nos vértices de peles e rugas

Nada passa o Tudo

O Todo

O sentido que norteia

O destino desnorteia

O Todo Tudo

Vaga no nada

Tudo do todo

Tudo em tudo

Nada estava

Onde eu ia, iria

Desencontro de rumo

Rumino fumo queimado

Passa Tudo

O todo pulsa mais firme

Mais íngreme

Descida veloz que não acaba

Infinito que voa ao longe

Tudo com Todo amor

Todo momento o pavor

Nada é limonada

Água de beber

Do mar pendurado no varal

Que recolho, mastigo procurando a

Última gota de nada
As mesmas coisas

Integram vazio

Espero na janela

Ninguém vai surgir

O sono não vai me dormir

Não tenho coisa alguma

Era só sentimento bom

Água que não mato sede

Ao que se desconfia

Que sombras são venenos

Água desaguo

Inútil e nada

Tempo errado

Sol me engana o rumo

Tanto faz a que lado ir

Tudo é tudo

Nada é nada

Seu vento não me alcança

Muito fraco

Meu coração

É abalo sísmico

Onde ando

Onde anda

Onde nada

Onde tudo
Mara Romaro

16 jul 2017 11h lago do major Atibaia

Língua dos Golfinhos

Língua dos Golfinhos

 

 

Meus pés andam sem sentir

Como se o caminho fosse

tapete de céu

Lavam-se em suspensão

Desenham raios

e trovão de chão

Vejo em todo lugar

em cada palavra que

se pronuncia a mim

Enquanto beijo

São ressacas de champagne

Águas que circundam

os seios de rochas de Fernando de Noronha

 

Dançam Golfinhos pelas salivas da sede

Nas salinas acesas

Ondas que quebram

Som se esconde no arrebol

Som se silencia nas ondas

que nadas

 

E por mais distante

Por mais bocas que beije

Estarei em todas as vezes

nas línguas dos Golfinhos

 

Mara Romaro

03/07/2017 21h. Quarto.

Escultura Grega

Escultura Grega

 

Durmo sucumbindo vazio

Em música de canteiro abandonado

Dragada pela fome da noite

Vestida de amnésia

Afundo no mar

Vagalhões e trovões

desenham meu travesseiro

Um adormecer corsário

de sorriso falsário

Entrego-me abraçada as nuvens

Com todas minhas forças

esculpo meu desespero

talhando rocha branca

só para tatear em minhas mãos

a ilusão de viver

embebida e ungida

das felicidades escorridas

na poeira caída do entalhe

 

Nem Deus Nem demônios

Nem Sonhos Nem Begônias

Moldada na figura

me agarro nos escombros do amanhecer

Amo mais o que te conhecer

Sem como nem porque

a escultura abandonada imortaliza

todo esse tempo perdido de esquecer

Erigida ao céu

Erguida em meu viver

Fecho olhos lápide

Perco a mão de reviver

 

Revolvo em meu canto

Pássaros agarram pedaços

Levam tudo embora

ao alvorecer

 

A erosão do acordar

o primeiro instante do

relembrar

Ao abrir meu olhar

Meu perecer

 

 

Mara Romaro

28/06/2017 16H

Música: Ti ho voluto bene veramente – Marco Mengoni