A precipitação de convalescença

 

 

Hoje sou uma sede

_      de uma chuva que não

_      se promete

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Folha de rosto

Folha de rosto

Um rosto deitado

repousado de mornas

_ mãos frias

Rosto silenciado em sonhos

Um rosto de cores cintilantes

nariz adormecido

boca que comeu

tudo que nunca disse

Por sua garganta

cresceram trepadeiras

_ de rosas

Em seu estômago

emaranharam esses perfumes

Rosto adormecido

com paz

sedimentada

de tentativas

Rosto de gosto

Esquecido de gaivota

Trêmulo e ululante sorriso

de promessas de risos juntos

Rosto de profetisa

Rosto de olhos de madeira

Olhos de boca

de som de chuva

falando um nada de névoa

ou de reticente neve

Um rosto que poderia ser

seda pura

que com dedos de criança

galopo deslizo

montanhas

narinas

lóbulos de orelha

o acordar vazio

que desperta na boca

que abre os olhos

_ de brilhos

Um rosto

de paz que trago

comigo

no fundo do bolso

por baixo do meu travesseiro

no meu sonho

febril esmorecido

Mara Romaro

9/9/17 1:03 h quarto