Por agora

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Carta do Amanhecer

Misteriosamente a hora lhe acordara, como um suave tocar em seu rosto adormecido, mesmo que o ontem mais distante pudesse lhe conter a vida, como quase uma pausa, o dia seguinte já nascia bonito porque se apaixonara de seus sonhos; tentava revolver as novas nuvens para que as luzes tocassem seus olhos mais uma vez invadindo seus sentidos de um arrepio de amor que se exalava em aroma de flores filhos de corujas crianças em um ninho feito de girassol como cama.

Amanhecia-lhe uma canção quase silenciosa de nuvens despertadas com raios de luzes, uma revoada, um vento de mudança de estação, a luz de seus olhos vestia seu sorriso mais esperançoso de um acordar.

Encantava-lhe a perspectiva de sua sombra projetada do amanhecer, de uma silhueta que decidia viver o melhor, guardava para si as últimas gotas daquele orvalho, para depositá-lo no centro de uma margarida, excepcionalmente amarela que a chamasse à alegria do abraçar em sonho as crianças, como se os sonhos todos pudessem se reunir nesta primeira hora para festejar a dança da copa das árvores, cipós e a névoa acordando para cobrir sua filha montanha.

Mara Romaro

31/01/2016 18:04

CartadoAmanhecer

Amava-te

amava_te

Amava-te

Não esperando que fosse nada
Amava-te
Apenas com um olhar
Amava-te
Não sabia o que era
negava e nem cogitava descobrir
Amava-te
Como se o dia não tivesse fim
Como se o sorriso pudesse me sorrir
Amava-te
Como se fosse um aroma
um bolo
uma bala de leite
um rivadávia com glacê
Amava-te
Como se nunca pudesse tecer
Como se os dedos pudessem passear
todo o relevo com delicadeza de um desenhar
Amava-te
Nos pensamentos a te ter
e teu rosto era liso
e eu pudesse me perder nas almofadas de seda
Amava-te
E podia voar os céus
nos perfumes pintados em abstrato
O tempo se vestia em nuvens rosadas de fim de tarde
As mãos podiam encontrar
todas as sensações traduzidas do olhar
Amava-te
Ao abraço se entregava
fugia ao todo explícito
Trazia a vida a nos viver
Eu podia saber no final
do último instante ao deitar
como seria a respiração acalmada
Nem sempre eu podia
entender nosso conviver
nessa vida tão desencontrada
Amava-te
Sem poder
Sem mais conter
Amava-te
De todas as formas que eu pudesse
e nos outonos e primaveras
Amava-te
Não queria mais sentir
Não queria o risco de sofrer
Mas a luz da juventude nos recordava
Amava-te
Como antes ou ainda mais
Sofrimentos tatuados nas costas
em forma de rosas e espinhos
Porque
Amava-me
Sem que acabasse

MaraRomaro

28/01/2016 12:19

Verso da folha:

Contraponto ao texto Amava-me

Música:Einer von Millionen – Unheilig – MTV Um plugged

Diálogo Interno

Por tantas vezes, eu me dizia algo e as respostas sempre vieram.
Toda essa interlocução me levou em redemoinhos de vento.
Vento forte. Içou-me até as nuvens navegantes,
em seus lençóis repousei.
Os seus braços eram veleiros, o rugir era o quebra-mar.
Não encontrei respostas e dúzias de perguntas de resposta muda se avolumaram
em tempestade noturna.
Como foi difícil escorregar sem ter mais sua mão para segurar.

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