Percevejo

Percevejo

Não tenho tempo

pro meu bocejo

enquanto tempo

que não te vejo

Percevejo

Há quanto tempo

que não me vejo

no mesmo ensejo

que não anseio

não tenho beijo

no mesmo tempo

em que bocejo o teu desejo

Não tenho tempo

prá ver teu desenho

daquele engenho

de trigo brilhando

contra o vento

Há quanto desejo

na tua boca sem bocejo

Eu não percebo

Quanto é cego

o meu ego

Não desenho mais

nem ensejos

nem desejos

No meu pensamento

só restou

o Percevejo.

Mara Romaro

Verso da Folha

19/05/2008

No meu banho, lavando o cansaço e a desgraçada falta de caminho; ouço o cricrilar, o crepitar da chama perdida na brasa que se apaga.

Da anestesia do dia a dia. Do beco sem saída, que me esqueci de versar.

Saí correndo do banho a procurar este caderno, com parte dos versos a se repetirem para não se perderem.

Depois de tanto tempo calada, angustiada, com tantos problemas volto aqui para “perseverar”.

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O poeta

“Um poeta já nasce poeta, morre menos poeta do que nasceu.

Sua vida absorve essência que com presteza transforma em ilusão.

Este mar no qual navega. Neste mar no qual se perde. Neste mar o qual te leva.

Quanto mais longe e fugaz é o sol poente,

mais belas serão as palavras nascentes do coração perdido,

ora embebido em singeleza, ora destemido em irascível dor,

ora levado pelo vento da paixão, ora arrastado pela força da ilusão.

 

O poeta é o contador de estórias sem razão,

movido pelo sonho e guiado pela imaginação.

É ver sentindo, sentindo e vendo.

Com tanta agudeza percebe a beleza,

assim como tão contundente

se sente a rudeza. ”       

Mara Romaro  17/11/2008

Intrínseca

Intrínseca

Intrínseca lâmina

sob o fio seco

da navalha.

Insípido olhar

do não e nunca.

Gumes que insinuam

na adaga

a faca

que crava cega

no meu pulmão.

Sem adejar

Sem arfar

a dor alada

erige sobre ágora

nefasta dor

da adagonia

de seu desacordar,

fendem-se as costas

e florescem asas.

Intrínseca dor

de esmorecer no esquecimento.

Incisivo como intensivo.

Letal de metal.

Teu punhal me

feriu lentamente

penetrante na vida e tempo

como a têmpera que

te concedeu tamanha

dureza feito coração de

Diorito.

Sem infinita afeição

petrificada, os tempos

de campinas verdes

e amigas libertas de

ciladas das adagas

atiradas contra

verdades e

amizades

 

Mara Romaro

12/03/2009 01:57

Síndrome Estranha

Síndrome Estranha

a espelhar no tormento

um melhor ambíguo.

Síndrome estranha

em castanho no limbo

Oh! Ensebados pães

encurralados em becos de café.

Síndrome Estranha

quando tanto era encanto

esperava avos de ovos.

Síndrome Estranha

De nada. Às ordens.

Portanto’s amigos virtuosais

tão virtuosos quanto virtuais.

Os vitrais que se

Este laçam sua vê mente.

São sacrófagos

todos os aflitos que se embebedam do vinho santo,

daqueles que não atam nas verdades.

Síndrome estranha dos ferrolhos e

cria dos arte e factos repri dos medos.

Ah! Alheio direito através das pantalonas e suas etéreas palavras ocas.

Síndrome estranha

A olhar as Marias que desapercebidas

são todas fictícias  nas floradas de outono.

Mas o rei arde a luz incandesce sem condescendência

Sobre as farsas e hipocrisias dos mesmos hipocondríacos sanos.

 

Estranha síndrome

do som cítrico do escárnio.

Oh! Livrai-nos das covardias e absurdos.

Entendei-nos

Ó coisa

Propriedade privativa alheia.

Amem.

 

Mara Romaro

Verso da Folha Síndrome Estranha

[2009-jan-7 21:15]

O estudo dos enigmas, charadas e estegnografias que penso para o meu “Lugar dos mistérios”, me fez pensar nas tantas vezes que nos pegamos dizendo e sendo mal-entendidos, até por situações ambíguas, ou fatalmente infelizes; outras propositalmente dúbias para causar diversas interpretações ou com a confusão da cacofonia induzir os sentidos a absorver uma mensagem subliminar. Neste texto, a sonoridade causa a sensação diversas vezes de dizer outra coisa. Um brincadeira apenas, para o que estou preparando no futuro livro. Através da sonoridade há outro texto implícito.é uma crítica sarcástica à forma de relacionamento de hoje em dia, das fugas pessoais, da ocultação do eumesmismo.Ah, sim. Quis realmente parecer torpe e difusa, quis realmente zombar da condição desumana e mangar dos que pensam decifrar facilmente os outros. Com análises prontas e receitas de bolos para a dor ou o sentimento, normalmente ridicularizado.

Quem são os piegas? Quem são os supérfluos? Quem não tem medo de encarar seus defeitos nas semelhanças com o próximo? Quem não tem vontade de molhar o pão no café? Por que não faz?

Quem não é estranho no ninho? Quem não se agarra na fé para suportar a humilhação?

Amor é para fracos e comprimidos de tarja preta. Terapia não é caminho de compreensão, mas apenas um certificado de sanidade que vale ingresso no mercado de trabalho. É isso mesmo?

Cuidado com os jargões, porque a repetição é uma fácil forma de doutrinação e lavagem cerebral.Cuidado com o que uma propaganda supostamente inocente pode fazer a sua mente, principalmente quando você não consegue mais controlar seus passos e sua direção.Esse mundo de hoje é doente.

 

Sinho-ne Eatramha

Sinho-ne Eatramha

a esqezar nmo menento

vm meihor annigqo.

Símcçope eatramha

en eatramho nmo nimho .

Qh! Inpsemsatos coxqracõies,

enfvrnadyos en vma capsa de soahjpê.

Sixnho-nme Eatramha

tonto puamnto era u esqpmto

exqerimamntgva fiuozs dze ouos.

Sinho-ne inzsoana.

 

Sixxen nada. Dexsofrdeam.

Enpuanmto os aniqos esqeclais

não tãu afefvoksos o qvamnlo necaeszsituais.

Os cripsxtuals que se

estllhoçam suauernente.

Suão sazrçóufpgos

todsxos os comnflltas qve se eszxqveçefam do dia samnto,

àqveles qve nãço anam de uerpade.

Sinto-ne eatramha com deaferldos oihos e

crlapdos os artafatuos da reqrinemdia.

Ah! Oihe diraxito atrlaués dsas jamnehonas e svas etpermnas viplraças barroqas.

Ínpole eatramha,

a oihar as auarios qve desoaqercebipdas

sãu topas inkícios  das boryraxscsas de opvtomo.

Mas oreil onpe a lux tramzxparevce emn imcdidêmcia,

sobrxe as foizlsas e idiossxincrpsias dornenles dos hunamos qve sonos.

 

Insomna imprvdidade

do son cítrxixco dv eskxcormnio.

Oh! Gvarpai-nos dazs afxasias e dos svrttos.

Emtenpei-nos

Como suois

a digpnipdaxde  piópria  aiheia

Anémn.

 

Mara Romaro

Verso da Folha Sinto-me Estranha

[2009-fev-03 23:58]

Existem almas gêmeas, como este texto é da Síndrome Estranha.

São homófonos e um enigma pelo som, o outro pela visão.

A comunicação pode ser torpe, propositalmente com intuitos inescrupulosos, ou apenas atabalhoados.

A quilo que se vê, nem sempre é, o que é nem sempre aparece. Não é questão das entrelinhas, mas entreletras cujo som ou grafia pode nos induzir ao engano. A mente é uma coisa incrível. Nem precisamos as vezes completar uma frase ou palavra. Mas essa rapidez justamente causa os sentidos oblíquos.

Vestido Azul de Seda

Domingo de feira,

vesti minha luz de vida

minha pequenina

com seu lindo vestido de azul seda pura,

derramado de pequenos sagus

em poisinhos de granizos

branquinhos.

Tinha uma gola de bordado de organdi

que parecia nuvens de primavera.

Cabelinho de lado,

todo enfeitado

de presilhas brancas

com fadinhas borboletas.

Um par de jabuticabas bem atentos

perscrutava as barracas coloridas

de        laranjas,

bananas,

ameixas,

abacates.

 

Em meu colo passeava faceira

guardando moranguinhos e bananas ouro,

na sua de palha sacolinha de feira.

 

Ah, entre um momento e outro,

o vento sorria divertidamente,

pois o sol corava as bochechas

quando sacudia o vestido de seda.

 

Brevemente levantava a saia,

para as duas coradas bochechas

sorrissem  para os atônitos passantes.

 

Eu vesti um lindo vestido azul

de seda de bolinhas,

sapatinho de verniz,

meias bordadas

com Maria fumaça.

 

Mas esqueci da calcinha

para esconder a nudez

das nádegas!

Oh, meu Deus!!

 

Mara Romaro

 

Verso da Folha:

13/5/2009 hora do almoço.

Carinho lavado e engomado para as recordações de Giovanna em seus guardados dias de infância.