O gosto do vento

[ Poema Novam Scripturam – Mara Romaro  – Imaterialidade – arte simultânea – previamente agendado]

 

[Notar que as palavras provocam sons ressaltados em S e R a imitar o sopro do vento marítimo.]

2019_Litterae_Mara_Gosto do vento

Todos os direitos são reservados
Obrigada por ler!

 

Tocar da fragrância Idylle

|ao Amor Idílico | 12 de Fevereiro 2019 16:14 a 16:43 | Anotações da caderneta de papel fotográfico

 

Você

uma estrada de flores

cachos de loiras conversas secretas entre estrelas

de céu e mar

Um caminho a andar calmo a escarpas

beira de planície

Aromas de arco-íris em peônias e frésias

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Tocar da Fragrância Ametista

|09 Mar 18. 21 a 22:47H caderno azul de couro

“mais deliciosos que o vinho

são teus amores e o odor de teus perfumes

excede o de todos os aromas” – Cântico dos Cânticos

Uma chuva que não havia
o chiado de cotovia
restos da purpurina em meus lábios
a madrugada quase fria
das primeiras luzes
Nunca é igual a hoje
somente cores da melancolia
levei os desenhos rosa
desenhos como nunca desenhados
esboços coloridos púrpura que minhas mãos
não podiam
muito tempo o desenho desenhado
nas primeiras notas da fragrância
Um perfume que vinha
exalava por detrás da minha íris
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Diário do Universo Paralelo – Realidade alternativa [3]

Diário do Universo Paralelo –  Realidade alternativa
(Término: 22:16 | Mezanino e vela acesa. Computador do Lincoln na mesa, caderno na prateleira inferior, caderno de anotações, celular, playlist preferidas da hora MCRomaro elaborada por mim, lista ao vivo do Hans Zimmer no show de Praga. Termino ouvindo Live it now de Gary B. Sentada na poltrona com os pés nas almofadas dobradas e empilhadas, um recipiente de cristal com as canetas de uso, papel post it, caderno de estudos, dicionário e estojo de óculos vermelhos. Hora de ir fazer o sorvete. Trocar de óculos e acostumar à vista.)
Dia 12 de Janeiro de 2018 19:45

Larguei-me, não porque precisava descansar, mas porque olhar a moldura da janela, com a textura tramada sobre as pinceladas da nuvem parecia cobrir meus olhos de um tecido, fino, leve, eu desejei não estar aqui, não viver assim, sobravam-me pequenos resíduos de aroma da banana que eu caramelizei com glacê de limão, segredos meus em gotas, e uma xícara de café, neste momento, já não sei a cronologia.

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Olhar Noturno

Um céu fechado de claridade,

brisas negras e inquietações insones.

Visão cega da obscuridade da madrugada,

sem sons, uivos longes,

respirações de névoa branca em friagem.

Secura da boca em estiagem.

Piso descalça as frias pedras.

 

Abro a porta do quintal,

saio vestida do meu sono acordado,

olho inerte sem pensar.

A instabilidade balança os fios de cabelo,

que na sombra refletida da lua ainda posso enxergar.

Meus pés pisam as areias,

agredidas do tempo,

que se arrastaram para meu chão depois da última chuva.

Chuva forte que encobriu a montanha.

A montanha que sempre estava lá

e somente quando a cortina de água cinza a encobriu,

senti como meus olhos passavam por ela,

tocando seu contorno,

sua nuca,

sua vegetação.

 

Demorei a visualizar um corpo dormente,

que nas noites se cobria

de um manto de algodão.

 

Com o voar de pássaros misteriosos da noite,

meu tocar se omitia em grutas,

em pedras, em troncos

de árvores queimadas do fogo.

 

Voltei para a sala,

olhando o contorno

de poucas nuvens feridas com luar poente.

Meus olhos ardiam lágrimas secas,

dos prantos dormidos

embebidos de pequenos momentos de dormência.

A friagem desta hora

molhou feito chuva de outono,

em prateadas gotas que pingaram

das pontas das folhas da árvore do meu jardim.

 

Minha silhueta se dizia,

nas sombras tênues da noite,

das lembranças e esquecimentos,

das forças e fraquezas,

dos erros e acertos,

do racional e insano,

se dizia no andar triste, coberta pelo manto

muito mais do que melancolia.

 

Deitei novamente

a olhar o teto apagado do quarto,

do quarto de hora de insônia,

das reviravoltas sem posição

que deixe o sono se apoderar da visão negra.

O tempo que nunca cuidou direito,

tomou meus minutos,

dormi sem sonhos,

acordei com os cristais

das tristezas

nos olhos vitrais.

 

©Mara Romaro

|28/11/2016 13:55