Nácar

Nácar

|31 Julho 2019 22:44 a 1 Agosto 00:10 | Estímulos: Dança, céu noturno, brilhos do lago em observação matinal, vinho, músicas. | Músicas: Fallen e Ritual – Delerium, In Between – Schiller, Fatigué – Thomas Lemmer, One Love, Kissing – Bliss, Carry You Home – Ganga, Nikolaj Grandjean – Wondrous Machine, Vaporizer – Jens Buchert| Mapa celeste SP-BR em 22:44 – constelações Aquarius, Capricornus, Sagittarius, Scorpius, Libra, Sculum, Serpens Cauda, Corona Australis, Microscopium. Planeta: Saturno em Sagittarius, Júpiter quase em Libra, próximo a Albaldah. Estrelas observadas: Ascella, Kaus Borealis e australis, Nash, Nashira, Sargas, Shaula, Zuber, Grafias, Deneb Algedi, Brachium,Fomalhaut, 73, 90 e 99 de Aquarius.

 

Rosto solar em uma corona[1]

em anéis que acendem luz que encerra triste euforia

que da concha lua nasce Vênus

sem meu olhar algures aster [2]

que andei num sambaqui

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Viagem ao centro da terra

|16 de maio de 2018 1:20H|Mezanino| intervalo da revisão do Vipassana| caderno verde de estudos

Como
lábios como os lábios
quentes de erupção
lançam chama
chama roucamente a chama
ardente como água fervente
coragem da cúspide
nos vapores evaporados lançados na viagem
Como
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Lago verde

|22/03/2018 12:27

Vens, querida raiz de musgo, visgo oculto em uma vida própria serpenteada. Tão linda vida.
Os mistérios me envenenam de estranhas fumaças, na noite, nos ares carregados na palha no bico de garça.
Mistérios em tapetes persas, em águas que fogem à temperatura, elas contrariam o curso natural, se esverdeiam, se espalmam, conversam comigo na noite de mistérios.
Eu tento pegar seus brilhos, minhas mãos tocam paredes escondidas das costas revestidas por um robe atoalhado. E sinto uma textura morna, quando estendo dedos de
lamento.

Sinto meu rosto adentrar um lago vertical, rosto a rosto, águas do limiar vencido do meu viver, um viver sonâmbulo num concreto chão que se perdeu da gravidade.
Vens, apenas me deixo a ouvir o som do deglutir, eu sinto essas raízes que invadiram meu conseguir.
O dia sem horário, as coisas que transitam inúmeras, em algarismos riscados da ilusão.
Vens comigo, em meu toque imaterial, vem um pedaço do que restou de coração, ele se esqueceu nos pensamentos que presos pelas parasitas dos galhos, se revelam quando vestidos de prata.
Vens, como chuva, afogar todas as roupas de fibras imperceptíveis do meu viver, viver estranho dessas raízes ocultas de dor, de amor, de vida.
Vens como um rosto que se forma em entalhes, como um corpo que emerge dos mares, como uma raiz que se arranca e era um pulso de rubi, e todas as outras que eram flores lindas a nascer ao sol de um dia, a acontecer. Seja como tiver que ser, até mesmo uma raiz morta brotará.
Em meu viver, o depois me trouxe o antes, agora sei, o corpo do corpo do corpo, do todo, ou quase, do acontecido, do amortecido, do escondido bem no fundo das seivas desidratadas do núcleo mais importante da árvore, bem lá, onde poderia nascer verdade, nasceu o incontível, e o que era invisível, aflorou nas águas, nas pedras, no ar, no sangue, no peito, no cérebro, nos ninhos, na doença, no vigor, na intensidade, na idade; na verdade será?
E visível, palpável, morno, quente, incandescente, luz de sol, sorrir, amar, viver e morrer, ali, inerente, mais do que intrínseca dor, há o teor do sal, o milagre da água, a vivacidade do ar, o gosto do metal, e a temperatura com o tamanho que define, o que posso dizer do amor da minha vida… infinito.

Vens, não me sinto completa sem tocar de verdade. Mas os sonhos se encontram, se enamoram de olhares, nas águas que desaguam, em mesmo lago, em mesma foz, em mesma palavra não pronunciada, vens, como flor, que em vento plane, voe e recaia nessa água, e a raiz deixará em paz tudo que ainda nem se saiba, nem tenha sido revelado. Que as ânsias mais enterradas, sejam vivas. Que os desejos mais ignorados sejam verdes, tão frescos e lindos, nesse lago pairado, o momento sublime da vida, essa imersão do amor, que é o nutriente do ambiente mais reluzente, e as coisas maravilhosas, realmente então poderão ser livremente.

Vens.

©Mara Romaro
Para meu amor

Tocar da Fragrância Ametista

|09 Mar 18. 21 a 22:47H caderno azul de couro

“mais deliciosos que o vinho

são teus amores e o odor de teus perfumes

excede o de todos os aromas” – Cântico dos Cânticos

Uma chuva que não havia
o chiado de cotovia
restos da purpurina em meus lábios
a madrugada quase fria
das primeiras luzes
Nunca é igual a hoje
somente cores da melancolia
levei os desenhos rosa
desenhos como nunca desenhados
esboços coloridos púrpura que minhas mãos
não podiam
muito tempo o desenho desenhado
nas primeiras notas da fragrância
Um perfume que vinha
exalava por detrás da minha íris
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BeijoTe

BeijoTe

|23 Fev 18 12h | Música: Marisi – Cantoma, Anew – Ed Carslen | à meia voz, à meia luz, à meia-noite

 

No leite morno da noite

                         uma calda debruça

                                me olha dentro

               de uma folha penumbra

um lacrimejo gemido destemido

     nas minhas orlas manguezais

Lençóis de nuvens – Canção de ninar

Meus ouvidos acariciados como couro de bumbo

e grunhidos das águas areais

Minha borboleta rubi pousa nos cílios

sem encostar a nuca

BeijoTe                         em linha de contorno

BeijoTe            sussurros de concha acústica
Pés de borboleta

Sou farfalhar de voo macio

Planta aos pés do ouvido um arrepio

Águas correntes – Fios tonalizados de crepúsculo

BeijoTe  a superfície da água de cabelos escuros

Argila não se molda à mão

Uma atmosfera distante

Percorrida no trotar do trovão

Clarões noturnos insones

_                      Bolhas de sabão

BeijoTe                 o calor        das           mãos

o desenrolar do antebraço

o soluço        do    cotovelo

a nascente    do          peito

Em uma febril sexta estação

redemoinhos das caldas do sono

borbulha etéreo

esse amor

EvaporaMe suores de desenhos

sedimenta o alto céu

de sementes brancas

Meus lábios despetalam-se

voam bico de beija-flor

BeijoTe     de   amor

Canto em quatro vozes do rouxinol do coração

Dessa febre convulsa

Nascente as salivas te ofertam presentes

vinho de úvula

acidulante de poeira de lua

BeijoTe frescor hortelã em folha

as esculturas torneadas

que sustentam seu olhar

Repouso a curva à beira do abismo

dos desenhos sinuosos

o amendoar desse círculo brilhante

que traga a fumaça do meu amar

BeijoTe   espelho d’água – submirjo

_  encontro os reflexos fossilizados

_              no âmbar de mim mesma

BeijoTe nas imagens que te farei enxergar

Aninho o pé com as mãos

Levo um pulsar

Boca nas pontas macias do dedo

_         irão tocar o pisar

_  andar dos dias e a represa de sentimento

Minhas mãos aninham

esse corpo de flor

sorrisos de brilho

das matizes desse calor

BeijoTe

Penetro o jardim secreto

de grama japonesa marsala

Um canteiro em ferradura

nascem lírios brancos

da espuma das salivas

Uma coroa de copos-de-leite

plantada em hálito moreno de café

BeijoTe             e transmuto as cores

A uva rubi macera vinho

metamorfose dos mares

esse encontro de labaredas

de líquidos de comunhão

BeijoTe       Transpasso o chão

presa em labirinto

das cordas vocais do violão

neste licor me embriago de ilusão

Nessa abóbada celeste

constelação de flores

os desenhos de tormenta

se depuseram em pó de giz

no carinho da minha mão

e como eu amava Completamente

auscutava essas batidas

ritmadas no atabaque

abafado dentro do peito

E uma emoção serena

_          tão serena como esse crepuscular

BeijoTe meu amor

sem te enxergar

porque misteriosamente escuto

essa música sonhada do som

_                  das suas palavras

©Mara Romaro

Verso da Folha

Neste poema faço uma analogia visceral com diversos simbolismos que traçam as linhas desenhadas na noite, das ânsias, eu queria que o texto fosse simultaneamente completamente delicado e exprimisse a voracidade da ânsia. No texto as representações visam identificar cada parte do rosto, corpo, detalhes que o beijo toca. A música referencia a melodiosa voz humana, um som capaz de dar personalidade e tocar com sua vibração. Eu faço referência à cerâmica, na verdade é objetivo de um outro poema, mas que dá a impressão correta do pressionar da pele em seu querer.  As tempestades noturnas são parte da mesma sinfonia desse ato, e como não existiria uma estação climática que pudesse representar o tipo exato desse calor delicado, nem mesmo o veranico, cito uma sexta estação fazendo o paralelo com sexto sentido, dado que estou falando em termos imateriais.

O desejo de estar acima de todo esse mundo, ser como uma poeira de leite, e o despetalar, demonstra o envio desse gesto. Seja no voo, seja na luz de um raio, seja na cor da nuvem, seja no tom do céu, de dia ou de noite.

Certa parte do poema, ele se centra à boca, em seu interior, representando o ato como uma comunhão entre as pessoas, dos sentimentos representados nos elementos de um jardim, tanto para as partes como o sentido.

E nesse devaneio o abismo me envolve em seu limite máximo.

Há o beijo relacionado aos olhos, ao olhar, a apreciação da vida, e a imersão das almas envolvidas nesse tocar completamente etéreo.

O beijo se transpõe aos membros, fazendo-se existir no toque do carinho.

E  que não enxerga é olhos fechados, mas também todo universo existente para dentro dessa porta, e tudo que se sente acaba constituído de uma verdade real interna.

Sexo das Flores

Sexo das Flores

(20/08/2017 14H – em casa)

Ouço seu ríspido exasperar

Deita as palmas em caminhos

_                                      secos

Uma cantiga que aparece

e desaparece como mãos

que abrem caminhos em

_                                      sendas

_                 nos ares das altitudes

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