Nada Nada

Sem nada eu tentei todo

Folha de rosto

Sem pauta Sem margem

Nada me disse o todo

Capa de livro sem face

Se o dorso acarinhasse

Gestos desviados de mim

Pouco fez sentido jasmim

Desenhos da água do lago

Emanar vago em cálido

Algo que flutuava largo

Ao longe pensei nas folhas arrastadas

Todo tempo o tudo ou nada

Escuto o mudo

Não vejo sombra

Tudo no ombro do Nada

Subo e desço do rumo

Encontro seu sumo

Sob escombros das unhas

Nos vértices de peles e rugas

Nada passa o Tudo

O Todo

O sentido que norteia

O destino desnorteia

O Todo Tudo

Vaga no nada

Tudo do todo

Tudo em tudo

Nada estava

Onde eu ia, iria

Desencontro de rumo

Rumino fumo queimado

Passa Tudo

O todo pulsa mais firme

Mais íngreme

Descida veloz que não acaba

Infinito que voa ao longe

Tudo com Todo amor

Todo momento o pavor

Nada é limonada

Água de beber

Do mar pendurado no varal

Que recolho, mastigo procurando a

Última gota de nada
As mesmas coisas

Integram vazio

Espero na janela

Ninguém vai surgir

O sono não vai me dormir

Não tenho coisa alguma

Era só sentimento bom

Água que não mato sede

Ao que se desconfia

Que sombras são venenos

Água desaguo

Inútil e nada

Tempo errado

Sol me engana o rumo

Tanto faz a que lado ir

Tudo é tudo

Nada é nada

Seu vento não me alcança

Muito fraco

Meu coração

É abalo sísmico

Onde ando

Onde anda

Onde nada

Onde tudo
Mara Romaro

16 jul 2017 11h lago do major Atibaia

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